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Silvério da Costa Oliveira é Doutor (PhD) e Mestre em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia, possui a Licenciatura Plena em Psicologia e a Licenciatura Plena em Filosofia, possui a Licenciatura pelo MEC em História e Sociologia, autor de vários livros e artigos, conferencista. Sua formação está estruturada sobre três pilares: a Filosofia, a História e a Psicologia.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Métodos de pesquisa em psicologia 3: Método experimental e variáveis em pesquisa científica

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Nesta semana, estamos trabalhando os métodos de pesquisa em psicologia, este é o terceiro de quatro posts dedicados ao tema da pesquisa científica.
Penso que é muito importante uma boa noção sobre metodologia de pesquisa para quem queira escrever no mundo acadêmico e aqui me refiro a monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado, bem como outros trabalhos de cunho científico.

1-     O método experimental

Características básicas deste método:
Elevado grau de controle
Experimento
Grupo de controle e grupo experimental: Trabalha-se com dois grupos de sujeitos selecionados de modo a serem iguais no início da pesquisa. O experimentador aplica a um dos grupos o tratamento experimental visando medir a influência da VI na VD, tal grupo se chama grupo experimental. O outro recebe o nome de grupo controle e nele não temos a presença da VI, recebendo este um tratamento padrão, visando controlar a ocorrência de possíveis VE.
Controle de variáveis:
VI – Variável Independente à Está sendo estudada e é mantida constante.
VD – Variável Dependente à Procura-se medir a variação da VD, como ela é afetada pela VI.
VE – Variável Estranha à É o que pode interagir no experimento e levar a conclusões erradas, pois, ao invés de ser a VI a exercer dado efeito sobre a VD, seria a VE que se interporia entre ambas e originaria o efeito final.

VI à (VE) à VD
VI à VD
X afeta Y ?   Pode a VI afetar a VD e ocasionar dada resposta específica?
VI (estímulo) à VD (resposta)
VI (intensidade do estímulo) à VD (tempo de reação – resposta)
  
Exemplos de VI

VI ambientais

-   Ambiente físico (luzes, sons, etc.).
-   Ambiente social (presença de outras pessoas)
-   Recompensa ou punição
-   Tarefa de laboratório
-   Etc.

VI Internas ao sujeito

-   Idade
-   Sexo
-   Inteligência
-   Nível de prática
-   Motivação
-   Fadiga
-   Etc.
Exemplos de VD
-   Respostas observadas (palavras, movimentos, etc.).
-   Relatos
-   Experiências (o que é visto, ouvido ou sentido).
-   Resposta fisiológica (E.E.G. – Eletroencefalograma; respiração; pressão sangüínea; temperatura da pele; etc.).

Vamos nos divertir com um pequeno exercício (respostas abaixo)
Identifique as VI e as VD e imagine possíveis VE

A-               Pode o consumo de uma pequena quantidade de álcool ocasionar decréscimo na atividade motora dos sujeitos?
B-          Comentários do professor podem propiciar melhor desempenho por parte dos estudantes?
C-          Pode o desempenho administrativo ser afetado pelo clima organizacional?
D-          Pode o autoritarismo influenciar a aprendizagem de novos conceitos?
E-           Pode o uso de drogas psicoativas propiciar o aumento da agressividade nos usuários?
F-          O sexo (masculino ou feminino) é determinante de maior ou menor resistência à ação de comunicações persuasivas?
G-         Numa situação experimental utilizou-se de dois métodos diferentes de ensino objetivando medir o grau de aproveitamento dos alunos.
H-      Pode o número de gols marcados por um jogador depender do tipo e do tempo de treinamento que este recebeu?
I-           Os acidentes de trânsito são em sua maioria ocasionados pela negligência dos motoristas
J-            A programação da TV pode ser apontada como uma das fontes do aumento da agressividade infantil?
K-         Pode a má condição de vida nas comunidades carentes levar ao aumento da delinqüência urbana?

Respostas sobre as VI, VD e VE
VE = Qualquer variável que você possa imaginar e que interfira com o experimento fazendo com que o efeito da VD sobre a VI não seja medido corretamente, influenciando nosso instrumento para mais ou para menos a força da VI sobre a VD.
VI = consumo de uma pequena quantidade de álcool; comentários do professor; clima organizacional; autoritarismo; uso de drogas psicoativas; sexo; dois métodos diferentes de ensino; número de gols; negligência dos motoristas; programação da TV; má condição de vida.
VD = decréscimo na atividade motora; melhor desempenho; desempenho administrativo; aprendizagem de novos conceitos; aumento da agressividade; maior ou menor resistência à ação de comunicações persuasivas; grau de aproveitamento dos alunos; tipo e do tempo de treinamento; acidentes de trânsito; aumento da agressividade infantil; aumento da delinqüência.

Clark e Walberg (1968) desejavam saber se a recompensa maciça ajudaria a dar melhores resultados na leitura entre alunos potencialmente reprovados. Criaram um estudo simples para responder ao problema. Usaram crianças de 10 a 13 anos de idade e com um atraso de vida escolar de um a quatro anos. Dois grupos foram formados para que fossem aproximadamente iguais em características que pudessem afetar o resultado. No início do estudo, todos os alunos foram elogiados por seu trabalho. Isto foi usado para estabelecer médias de recompensa para os professores das crianças. Depois de seis sessões as médias de recompensa ficavam estabilizadas e introduziu-se a variável independente. Os professores do grupo experimental foram avisados para triplicarem a recompensa, enquanto os professores do grupo controle foram avisados para manterem a mesma quantidade de recompensa. No fim de um período de três semanas, foi feito um teste de leitura com as crianças. A análise dos resultados dos testes mostrou que o grupo experimental ou da recompensa maciça fez o teste melhor do que o grupo de controle. Esta conclusão foi inferida pelo teste estatístico da diferença entre as médias de leitura dos dois grupos. A média do grupo experimental foi maior do que a média do grupo de controle.
1-     Identifique a VI e a VD do estudo acima
2-     Qual foi o problema investigado pelos autores da pesquisa?
3-     Formule a hipótese que motivou esta pesquisa?
4-     Como foi medida a VD?

Para se verificar os efeitos do ensino pela TV sobre o rendimento escolar, selecionou-se, ao acaso, um conjunto de estudantes divididos em dois grupos, um dos quais recebeu aulas pela TV e outro recebeu aulas comuns. Após um período de seis meses, os dois grupos foram submetidos a um teste de rendimento e se mediu a significância da diferença entre os resultados.
1-     Formule o problema desta pesquisa
2-     Formule a hipótese central desta pesquisa
3-     Como se chamam os dois grupos selecionados e qual o tratamento dado a cada um?
4-     Identifique a VI e a VD neste estudo
5-     Como foi medida a VD?

Dois grupos equiparados em idade, nível sócio-econômico, escolaridade e personalidade, foram submetidos a um experimento para verificar o efeito de uma determinada substância no desempenho motor. Antes de o experimento ser iniciado, os dois grupos foram submetidos a um teste de desempenho motor. Após três meses sob a influência da substância, os grupos foram reavaliados e os resultados obtidos foram estatisticamente comparados aos resultados anteriores.
1-     Formule o problema desta pesquisa
2-     Identifique a VI e a VD deste experimento
3-     Como foi medida a VD?

A-                     Investigação de úlceras em laboratório: a abordagem de um neobehaviorista

Abaixo, trecho do livro “Introdução à psicologia” (título original norte-americano: “Introduction to psychology”), EditoraMcGraw-Hill do Brasil, do ano de 1983, de Linda L. Davidoff, p. 19 e 20.
 Uma idéia médica intrigante é a de que os processos psicológicos influem nas doenças. “Estive recentemente estudando a influência dos fatores psicológicos no desenvolvimento das lesões gástricas ou úlceras de estômago”, escreve Weiss, “(em um estudo) dois ratos levaram simultaneamente choques elétricos através de eletrodos colocados em sua cauda, enquanto um terceiro rato servia de controle e não recebia choques. Dos dois ratos que levavam choques, um ouvia um apito que começava 10 segundos antes de cada choque. O outro também ouvia o som, mas o apito soava irregularmente em relação à ocorrência do choque. Assim, ambos os animais levavam os mesmos (idênticos) choques, mas um podia prever quando ocorreriam os choques, enquanto o outro não. Uma vez que o fator físico de tensão era o mesmo para os dois animais, qualquer diferença consistente entre o volume de ulcerações seria o resultado da diferença na previsibilidade do fator de tensão, sendo estudada a variável psicológica.”
“Como era de se esperar”, continua Weiss, “os ratos de controle que não levaram choques desenvolveram muito pouca ou nenhuma ulceração gástrica. Resultado surpreendente do experimento foi que os ratos, capazes de prever quando ocorreriam os choques, também mostraram pequena ulceração, enquanto os que recebiam os mesmos choques sem previsão revelavam volume considerável de ulceração. Em suma, os resultados de Weiss corroboram a idéia de que a variável psicológica de previsibilidade – e não o choque propriamente dito – foi o principal determinante da gravidade da úlcera.
Os ratos que podem prever quando ocorrerão os choques, desenvolvem menor ulceração gástrica do que os que recebem os mesmos choques imprevisivelmente.

Tema: A influência de fatores psicológicos no organismo (gerando um estado de saúde ou doença).
Problema: Qual a principal variável psicológica determinante da gravidade de úlceras gástricas?
Grupo 1- Ratos; ausência de choque e conseqüente ausência de tensão física; desenvolvimento de muito pouca ou nenhuma ulceração.
Grupo 2- Ratos; choque sinalizado soando um apito 10 segundos antes; som/apito; possibilidade de previsão de quando receberá o choque; tensão física gerada pela presença de choques; desenvolvimento de pequena ulceração.
Grupo 3 – Ratos; choque não sinalizado, o apito soa irregularmente em relação ao choque; apito/som; tensão física gerada pela presença de choques; desenvolvimento de volume considerável de ulceração.

Quais são os estímulos?  S --> R
A-     O som provocado pelo apito.
B-     O choque.

Quais as variáveis analisadas?
VI
VD
VE

Diga quais são:
Grupo de Controle?
Grupo Experimental?

PERGUNTA: Qual a sua opinião sobre o método experimental? Você tem alguma idéia de como poderia empregá-lo em uma pesquisa do seu agrado?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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4 Comentários:

Anonymous Rodrigo Monteiro disse...

A variável independente não pode ser mantida constante, pois é justamente a variável que está sendo estudada.
Deixar constante é controlar.

terça-feira, 11 de março de 2008 23:34:00 BRT  
Anonymous Giandih disse...

Gostaria de saber por que e como a variavel estranha deve ser controlada?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 08:54:00 BRST  
Anonymous José disse...

Não percebo bem isso das variáveis. Por exemplo, as atitudes ou comportamentos (Como por exemplo a partilha de seringas ou a prostituição) num grupo de toxicodependentes pode ser considerada uma variável psicológica?

Obrigado pela partilha de informação

Cumprimentos

domingo, 1 de março de 2009 02:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 15:01:00 BRST  

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