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João Damasceno: Em defesa das imagens nas igrejas

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

João Damasceno

 João Damasceno ou João de Damasco (674 / 675-749) nasce e vive na Síria / Damasco, então sob o domínio dos muçulmanos, proveio de uma família cristã e em 735 entra em um mosteiro perto de Jerusalém, monastério de são Sabas. É considerado santo pela Igreja Católica Apostólica Romana e sua festa litúrgica ocorre em 4 de dezembro, mesmo dia de seu falecimento, então com 74 anos de idade.


 

Sua maior preocupação encontra-se em ordenar e expor as obras dos padres gregos, não sendo ele próprio muito original. Combate às diversas heresias existentes até a sua época, inclusive o islamismo, que considera como sendo uma heresia cristã.

Dentre suas obras mais conhecidas, temos os discursos: “A fonte da ciência”, “A fé ortodoxa”, “Sacra paralela” e “Orações sobre as imagens sagradas”, o conjunto da obra é por vezes chamado de “Discursos contra aqueles que caluniam as santas imagens”. Neste trabalho se posiciona contra quem calunia as imagens santas, os iconoclastas, defendendo a presença das imagens religiosas. Aqui temos uma primeira tentativa teológica de legitimação da veneração de imagens na Igreja, vinculando esta prática aos dogmas da encarnação e da virgem Maria.

Em virtude de sua obra defendendo o uso das imagens e se opondo aqueles que caluniam as imagens, foi condenado junto com sua obra por heresia em um concílio iconoclasta ocorrido em Hieria no ano de 754, mas foi reabilitado e canonizado por outro concílio, este sendo o II Concílio de Niceia, em 787, o sétimo concílio ecumênico.

Atuou em defesa das imagens nas igrejas, em oposição aos iconoclastas, que na época eram contrários as imagens e a adoração das mesmas. Ele faz a distinção entre adoração e veneração. Por meio da adoração nos dedicamos somente a Deus, mas por meio da veneração podemos usar as imagens como representante daquele que ali é representado e a quem nos dirigimos. A adoração é puramente espiritual, a veneração se faz por meio da matéria da qual a imagem foi feita, mas a matéria não é algo ruim e Jesus ao encarnar se fez matéria e nos proporcionou um rosto, uma face, para ser representado. Aquele que é representado pela imagem não pode ser identificado à mesma, são coisas diferentes, a imagem apenas representa alguém a quem de fato nos dirigimos, e não a imagem em si mesma.

Segundo João Damasceno, podemos ter pela razão três provas da existência de Deus. 1- Tudo muda e se transforma, incluindo os anjos e as almas, no entanto, qualquer coisa que mude e se movimente em direção a outro ser, não pode ser incriado, todo ser mutável implica na necessidade da existência de um ser criador incriado. 2- Pela constatação da conservação e governo das coisas, 3- A ordem existente no mundo torna necessário a existência de um ser ordenador.

Concilia a providência divina com a liberdade humana. Em Deus há presciência, pois para Deus o tempo passado, presente e futuro é um grande agora, deste modo ele sabe o que ocorrerá, mas não interfere na vontade livre humana, respeitando os atos livres provenientes da vontade humana, deste modo e neste particular, não temos a predeterminação ou a predestinação. Claro está que há acontecimentos futuros necessários, que não dependem da vontade dos humanos. Deus é todo poderoso e, portanto, pode tudo, mas não quer fazer tudo o que pode. Pode, por exemplo, destruir o mundo, mas não o quer. Deus é a causa de todo o bem que há nas criaturas, mas não depende de Deus a qualidade que torna bom ou mal algo, e sim da livre vontade humana.

Desenvolveu noções filosóficas e trabalhou vários conceitos provenientes da filosofia, mas entende que a filosofia está subordinada a religião cristã. Suas obras terão muita importância no desenrolar da Idade Média, sendo consultadas e usadas por autores medievais famosos, tais como Pedro Lombardo e Tomás de Aquino. No transcorrer dos séculos XII e XIII diversos autores medievais escolásticos fizeram uso de definições provenientes da obra de João Damasceno, em particular definições sobre a natureza de Deus.

Apesar da existência de Deus ser evidente e demonstrada pela razão humana, sua essência é por nós desconhecida e incompreensível para a razão, justamente por ser infinita. É para os humanos mais fácil a via negativa do que a positiva, ou seja, é mais fácil sabermos o que Deus não é do que o que ele de fato é. Mas podemos definir alguns atributos de Deus: Ele é incriado, imutável, incorruptível, simples, imenso e incircunscrito. Como o disse Moisés, Deus é o que é. Deus expressa seu ser sem qualquer tipo de limitação e em toda a sua plenitude. Mesmo podendo assemelhar Deus à bondade, ainda assim Ele estaria além da bondade.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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