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Silvério da Costa Oliveira é Doutor (PhD) e Mestre em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia, possui a Licenciatura Plena em Psicologia e a Licenciatura Plena em Filosofia, possui a Licenciatura pelo MEC em História e Sociologia, autor de vários livros e artigos, conferencista. Sua formação está estruturada sobre três pilares: a Filosofia, a História e a Psicologia.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Terapia: falta de desejo sexual pela namorada, medo da solidão e dúvidas sobre sua masculinidade.


Por: Silvério da Costa Oliveira.

----- Original Message -----
Subject: Terapia sexual
Bom dia, Dr. Silvério.
Estou ajudando meu namorado a procurar um terapeuta sexual para ele e encontrei seu site. Gostaria de ter algumas informações sobre o seu trabalho, tais como o valor da consulta, a freqüência por semana e se a terapia é individual ou em casal.
Grata pela atenção,
 “A.C.A. e R.C.”

----- Original Message -----
Subject: RE: Terapia sexual
Dr. Silvério,
Em primeiro lugar, muito obrigada por seu interesse. Contarei um pouco sobre o meu caso para que possa entendê-lo melhor. Eu e meu namorado temos 23 anos de idade e namoramos há 3 anos e meio, mas temos problemas com relações sexuais. Meu namorado tem falta de desejo sexual, e diria até que tem aversão a sexo. Estamos há cerca de 1 ano e meio discutindo sobre este problema e tentando encontrar soluções que, até agora, se mostraram infrutíferas. Nós dois fazemos terapia individual, mas ele não tem conseguido resultados significativos em relação ao problema de sua sexualidade na terapia tradicional. Por estes motivos, decidimos procurar um especialista em sexualidade. Tanto eu quanto ele estamos de acordo e esperançosos com este possível tratamento.
O senhor precisa de mais informações? O que o senhor recomendaria: terapia individual ou casal? Seria possível marcarmos uma consulta sem compromisso?
Aguardo seu retorno,
“A.C.A. e R.C.”

----- Original Message -----
Subject: RE: Marcando encontro
Boa tarde, Dr. Silvério.
Sim, o “R.C.” é o meu namorado. Deixe-me explicar o que se passa: como não tivemos indicações de nenhuma pessoa conhecida, eu pesquisei na internet por terapeutas sexuais e passei alguns contatos para o “R.C.”, inclusive o do senhor. Na tentativa de agilizar o processo, eu entrei em contato com alguns deles por e-mail, enquanto ele ficou de fazer ligações para obter algumas informações, dentre as quais o valor da consulta era a principal, já que nós dois somos estudantes e temos restrições financeiras.
O “R.C.” se mudou há pouquíssimo tempo para um novo apartamento, e por isso tem estado muito atarefado, o que provavelmente explica a impossibilidade de prolongar a conversa, além de um possível constrangimento ao falar sobre um assunto tão particular ao telefone com um (ainda) desconhecido. Além disso, no momento em que este telefonema ocorreu, ele não sabia que eu estava em contato com o senhor por e-mail, e nem eu sabia que ele já havia te contactado.
Entendo seu ponto de vista, mas como é ele que irá fazer a terapia (ao menos a maior parte dela), prefiro que ele decida e tome a iniciativa de marcar a primeira consulta. Apesar de ter me adiantado nos primeiros contatos, realmente prefiro que ele se engaje neste processo sem que eu interfira diretamente em suas decisões, o que de forma alguma impede que eu também participe de quantas consultas forem necessárias, mas somente após uma primeira consulta e avaliação dele.
Abraços,
“A.C.A. e R.C.”

Em casos como o de “A.C.A. e R.C.” que envolve o contexto mais amplo da sexualidade humana, penso ser sempre importante obter informação de boa qualidade por meio de leituras adequadas. No caso de meus trabalhos, sugiro a leitura e consulta ao “Catálogo bibliográfico sobre sexo” e aos meus livros “Sexo, sexualidade e sociedade” e “Falando sobre sexo”, todos gratuitos em meu site no formato livro eletrônico em PDF.
Respondi a “A.C.A. e R.C.” pedindo inicialmente que explicasse melhor o assunto e o problema em questão, abordando em maiores detalhes para que eu pudesse saber do que se tratava e expliquei que quanto à clínica psicológica eu poderia fazer atendimento individual ou de casal e que na abordagem que adoto a freqüência a terapia teria de ser de uma vez por semana, sendo o valor da consulta previamente combinado.
Eu cheguei a atender em meu consultório, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, por duas vezes este casal, sendo que na primeira vez eu não cobrei meus honorários em virtude da pessoa estar muito confusa e não saber se daria prosseguimento ou não ao tratamento.
Normalmente em psicologia clínica nós fazemos um contrato no qual fica especificado o número de encontros semanais, se será atendimento individualizado ou não, quanto será cobrado por sessão e qual a forma de pagamento. Este contrato é fundamental para darmos início ao atendimento clínico, além disto, o primeiro encontro serve também para o paciente explicar melhor qual o seu problema e o que espera da terapia, bem como, para o psicoterapeuta explicar sua linha de trabalho ou como será sua abordagem ao problema do paciente, o que será feito e o que pode ser esperado como resultado. “A.C.A. e R.C.” foi à última exceção que adotei no tocante a não cobrar o primeiro encontro, pois, não posso me dar a este luxo com minhas horas de trabalho, uma vez que tenho outros compromissos que devo respeitar em minha agenda e meu tempo é de fato precioso.
Se o leitor tem curiosidade de saber sobre os valores cobrados por mim e outros psicólogos, sugiro uma visita ao site do Conselho Federal de Psicologia – CFP http://www.psicologia-online.org.br/ onde encontrará, também, muita coisa interessante sobre a profissão de psicólogo. Eu particularmente adoto os valores sugeridos a partir de pesquisa nacional efetuada pelo CFP sobre o tema e disponível no site do Conselho, em http://www.psicologia-online.org.br/servicos/pdf/tabela_honor_agosto_2007.pdf posso, no entanto, adotar uma certa flexibilidade entre os valores mínimos e máximos sugeridos.
Como a demanda partiu de “A.C.A.”, sugeri que fosse ela a se consultar inicialmente comigo e não o casal ou seu namorado “R.C.”, pois entendo que quem optou por procurar ajuda é quem de fato está motivado e incomodado com a situação. Quando se trata de relacionamento de casal, precisamos atentar de onde provém à demanda por tratamento e quais significados estão presentes nesta busca. É muito fácil dizer que o problema é do outro, mas pode ocorrer de o outro em nada estar incomodado e não ver problema algum com seu comportamento, portanto, o problema está prioritariamente em quem traz a demanda, não que seja esta pessoa a problemática, não é isto, mas sim que é esta pessoa que consegue neste momento enxergar que há um problema e que há necessidade de algum tipo de tratamento e solução.
Prontifiquei-me a marcar uma consulta com o casal e sugeri que inicialmente viesse somente “A.C.A.” e depois seu namorado, mas meu conselho não foi atendido e “R.C.” compareceu sozinho ao nosso primeiro encontro.
Quanto à terapia ser individual ou casal, minha opinião só se formará depois que conhecer melhor o caso. Inicialmente vou querer um encontro individual com cada um para escutar um e outro em particular.
Eu falei rapidamente ao telefone com uma pessoa de nome “R.C.” cujo único interesse era saber o valor da consulta, ao que lhe informei um valor padrão e lhe expliquei que é quase que uma regra entre nós, psicólogos clínicos, combinarmos o valor definitivo da consulta durante o primeiro encontro, pois, sempre é possível fazer algum ajuste para acomodar o valor mensal ao orçamento da pessoa. Também lhe expliquei que cada psicólogo entende que deve haver um determinado número de encontros por semana e que alguns de meus colegas que trabalham em linha psicanalítica propõem cinco encontros semanais, dentro da minha abordagem de trabalho, um encontro semanal é o bastante. No mais, a pessoa em questão não estava podendo falar naquele momento e nem sequer me explicou qual o caso, preferindo entrar em contato mais tarde, ao que sugeri o uso de e-mail. Se tal era o namorado de “A.C.A.” ou não, eu não sabia na ocasião, pois como já disse, não foi explicado.
Cabe aqui comparar as demandas, seus significados e diferenças. “A.C.A.” entrou em contato comigo por e-mail e depois tive a oportunidade de estar com ela pessoalmente durante a segunda consulta deste casal, já “R.C.” telefonou-me unicamente para saber quanto cobrava por uma consulta e sequer explicou qual o seu caso. Para mim que atendia ao telefone a impressão foi de que a única preocupação era com o valor cobrado e mais nada. Estou acostumado a atender pessoas com problemas diversos e o esperado é que a preocupação seja com o problema que aflige a pessoa e todo o tempo comigo, não importando o meio de atendimento (pessoal, telefone, e-mail, MSN, etc.) acaba destinado a tratar do problema em questão, sua demanda, sendo os honorários cobrados durante uma eventual consulta algo secundário. Daí podemos observar a real preocupação de cada um e as expectativas dos mesmos em relação a um tratamento.
No tocante ao desejo sexual e as relações sexuais entre o casal, expliquei que por meio da terapia de casal isto teria uma solução, mas que haveria necessidade de fazer o que chamamos em Psicologia Comportamental Cognitiva de “dever de casa”, ou seja, eu iria passar alguns exercícios para o casal fazer junto e para isto seria necessário o casal ter um espaço próprio onde pudesse ficar junto algumas vezes por semana, tirar as roupas e praticar os referidos exercícios. Expliquei que este problema tem solução. Sexo é que nem andar de bicicleta, não se nasce sabendo, é necessário todo um processo de aprendizagem e não desistir ou ficar traumatizado após um ou outro tombo. Quando crianças, muitas vezes começamos a aprender a usar bicicleta usando duas rodinhas adicionais, posteriormente, conforme vamos ganhando habilidade com a bicicleta, retira-se uma das rodinhas e depois, quando o equilíbrio estiver bom, retira-se a outra. Da mesma forma, quando o casal tem dificuldades sexuais, cabe começar bem do início e ir se adaptando até poder usufruir plena e satisfatoriamente de uma relação sexual gratificante para ambos.
Em verdade, no entanto, a questão principal da demanda era a fachada para problemas outros e que requeriam outra abordagem de tratamento. Em ambos havia a inexperiência sexual, havia também a presença de valores negativos em relação ao sexo e a sexualidade provindos de uma cultura religiosa, havia um forte medo da solidão que não permitia o desenvolvimento de valores positivos como paixão e amor genuíno pelo outro. Além disto tudo, pesava a dúvida existencial sobre quem de fato a pessoa é e o que de fato a pessoa quer da vida. Também estava presente a dúvida, no caso de “R.C.” sobre sua preferência sexual, se heterossexual ou homossexual. Tanto “A.C.A.” como também “R.C.” compartilhavam destas informações e dúvidas presentes no relacionamento em virtude de terem um diálogo aberto. Eu sou um forte defensor do diálogo entre casais, mas este também pode servir como mascarador de questões não trabalhadas que se escondem na superficialidade de uma conversa franca sobre tudo e que pode dar a vã ilusão de ter tudo sobre controle.
Indiquei terapia de casal e terapia individual para ambos, mas o casal optou por seguir outro caminho e não prosseguir o tratamento comigo.
No caso narrado de “A.C.A. e R.C.” vimos uma mistura de medo da solidão, inexperiência sexual, dúvidas sobre sua própria sexualidade, crenças e valores religiosos castradores, desejo homossexual expressado por “R.C.”, vimos que “A.C.A.” estava bem mais incomodada com a permanência da situação do que “R.C.” e que neste último predominava mais o medo da perda e a presença da solidão.

PERGUNTA: O que faz com que um casal continue junto?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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2 Comentários:

Anonymous Márcia disse...

São muitos os fatores responsáveis pela escolha e continuidade nos relacionamentos. É claro, no entanto, que esta escolha não ocorre no aqui e agora, é feita a partir de todo o histórico passado, principalmente relacionada com as vivências parentais. Muitas pessoas buscam a imagem e semelhança dos pais quando vão em busca de alguém, visando suprir carências, reviver a história, sem o amadurecimento suficiente para perceber o outro como ser diferenciado e único, que não necessariamente irá suprir o vazio.

Quando se trata de problemática na esfera sexual, temos que considerar que as pessoas tem motivações diferentes... O que pode ser percebido para um como o ponto principal, para o outro pode não ter prioridade e estar no fim da fila.

Assim, muitos casais permanecem juntos por conta dos diversos fantasmas mal resolvidos e pelo receio de vivenciar a perda, como se fosse a única experiência de suas vidas, não abrindo espaço para outras pessoas que poderiam perfeitamente preencher as diversas lacunas existentes.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007 09:30:00 BRST  
Blogger Marcinha Girola disse...

Depende da idade, do tipo de relação, da maturidade, das experiências anteriores, ou falta delas, da educação familiar... Medo da solidão, influência dos contos de fadas, religião, dependência emocinal, financeira... Persistência, axiomas, protelação.

sábado, 29 de dezembro de 2007 22:26:00 BRST  

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