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Melisso de Samos (1) * O não-Ser de base lógica

 


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 Melisso de Samos (470-430 a.C.) nasceu na ilha de Samos, Mar Egeu, atuou como almirante da esquadra de Samos na batalha ocorrida em 441/440 na qual derrotaram a esquadra ateniense. Só restam dez fragmentos de sua obra, um poema intitulado “Sobre o ser ou sobre a natureza” (ou em outra possível tradução: “Sobre a natureza ou sobre o que existe”).

Melisso se aproxima de Parmênides e de Zenão ao propor um ser único, mas substitui a ideia de um ser finito e esférico pela ideia de um ser infinito e sem forma definida. Segundo Melisso, o ser é eterno (não teve começo e não tem fim), infinito no espaço e no tempo, imutável, sempre idêntico a si-mesmo, sem forma definida, sem delimitações, uno (não composto por partes). Neste ser proposto por Melisso temos presente a unidade, a completude e a imobilidade. Defende a tese da unidade do que é, se opondo aos que defendem a pluralidade dos seres.

Enquanto o “não ser” de Parmênides nos apresenta uma contradição de base ontológica, o “não ser” de Melisso, por sua vez, aponta para uma base lógica e não ontológica. O “não ser” em Melisso faz referência ao nulo, o zero e a ausência, ou seja, trata-se de algo lógico e não ontológico. O “não ser” em Parmênides é ontológico, e, portanto, não pode sequer ser pensado, pois, quando tentamos pensar o “não ser”, pensamos alguma coisa e esta coisa que pensamos é também “ser”. Já o “não ser” de Melisso é lógico, e, portanto, pode ser pensado, pois, quando tentamos pensar o “não ser” em Melisso, fazemos referência ao conjunto vazio, ao zero, ao vácuo, a ausência de coisas.

A divisão entre o ser proposto pela razão e a pluralidade de seres oriunda de nossos sentidos, é maior em Melisso do que em Parmênides, abrindo deste modo o caminho para o surgimento de doutrinas outras, com base no ceticismo.

 Em meus blogs "Ser Escritor" e "Comportamento Crítico" você encontrará um artigo / texto de minha autoria que resume as ideias deste vídeo, apresentando o tema em toda a sua complexidade. Leia:

"Melisso de Samos: A unicidade do Ser".

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