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Epicteto e o Estoicismo romano

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Estoicismo – Epicteto

 Epicteto ou Epiteto (50-125/138 d.C.) nasceu em Hierápolis, Frigia (atualmente, Pamukkale, Turquia) e faleceu em Nicópolis. O nome "epiktetos" originalmente em grego significa simplesmente “adquirido ou comprado”, referência ao fato dele ser um escravo romano. Seu verdadeiro nome é para nós desconhecido. Teve como oportunidade, ainda na condição de escravo, assistir as aulas do estoico Caio Musônio Rufo.

Foi escravo por um tempo de sua vida, tendo recobrado a liberdade com a morte de seu proprietário, Epafrodito, um escravo liberto, que foi assessor de Nero e a tradição o vê como um homem cruel, que teria, inclusive, certa vez mandado quebrar uma das pernas de Epicteto.


 

Após liberto atuou como chefe do corpo da guarda do imperador Nero. Os comentadores são de opinião que nada escreveu e que suas aulas eram somente orais, tendo ensinado em Roma e depois em Nicópolis (Epiro). Seus pensamentos foram anotados por seu discípulo, Lúcio Flávio Arriano de Nicomédia, no “pequeno manual” (Encheiridion de Epicteto; também pode ser traduzido como adaga ou punhal) e os “Discursos” (Diatribes). A tradição nos diz que foram no total oito livros que compuseram as Diatribes, mas somente quatro chegaram até os nossos dias. É contrário aos acadêmicos, aos céticos e aos Epicureus. Com Epicteto temos um retorno ao antigo estoicismo, se afastando do ecletismo então em voga.

Para Epicteto e demais estoicos, a virtude é o único bem e o vício o único mal. Entende a virtude como sendo viver de acordo com a natureza humana, ou seja, por meio do uso da razão que é o que diferencia o humano dos demais animais e o identifica com a razão no sentido cósmico universal que é a providência divina. As emoções e desejos devem ser dominados pela razão, a virtude está justamente no exercício deste controle, que nos proporciona liberdade em relação a tais sentimentos e desejos. Muito presente também na filosofia estoica é o sentimento de dever e o senso de responsabilidade oriundo de viver de acordo com a razão.

Mais voltado para questões práticas, tende a se afastar de questões mais teóricas ou abstratas. Entende a filosofia como um modo de vida e uma orientação para o comportamento. Mantém respeito para com a dialética, da qual faz uso e entende ser útil. Provavelmente teve acesso a algum material escrito de Crisipo e toma como modelo de vida a Sócrates e Diógenes. Entende que deus é imanente ao mundo e ao humano, e que o cosmos é um ser vivente. Identifica Deus com a lei suprema presente no estoicismo. Defende que todos os humanos são iguais, independente de classe social, dos povos a que pertença ou da condição de senhor ou escravo.

Existe no mundo coisas que dependem de nossa vontade e outras que dela são independentes. Nós temos controle sobre nossas paixões, sentimentos e emoções, mas o mesmo não se pode dizer dos fatos da vida, que podem nos levar a morte, a doença, as agruras ou mesmo a felicidade e as alegrias. Cabe ao sábio adotar uma atitude de indiferença a todas as coisas externas e que não dependem de sua vontade. O maior bem que podemos possuir é nossa tranquilidade e serenidade. Para Epicteto uma vida feliz e uma vida virtuosa são sinônimos.

Para Epicteto e os estoicos, as coisas podem ser divididas em três grupos, as que são boas, as que são más e as que são indiferentes. As coisas boas são as virtudes e as más os vícios. Sobre o que é bom ou mal cabe controle e escolha racional, já sobre as indiferentes não cabe controle. Mas isto não quer dizer que nada possamos fazer, pois, mesmo no tocante às coisas que estão fora do nosso controle, podemos exercer nossa ação fruto de uma decisão racional, sobre as mesmas quando ocorrem. Se não entendemos de construção e pretendemos construir uma casa, a beleza e segurança da construção pode nos ser indiferente, mas a escolha dos profissionais que irão nela trabalhar nos pertence. Do mesmo modo podemos ser indiferentes se morremos ou não em um naufrágio, mas coube a nós a escolha da embarcação. Após algo ocorrer, cabe a nós fazermos aquilo que nos compete, para o qual temos o dever de atuar, e não nos preocuparmos com qualquer outra coisa. Ou seja, ignorar aquilo do qual não temos controle não é sinônimo de ter total indiferença para com as mesmas, e sim fazer aquilo que nos compete com aquilo que nos é dado.

Segundo Simplício, Epicteto nos ensina a nos libertar das emoções irracionais e a usufruirmos das coisas externas de modo consistente com o bem, deste modo, alcançar a felicidade sem necessidade de uma promessa de recompensa pós morte.

 Silvério da Costa Oliveira.


 

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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