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Escolas socráticas menores: Escolas de Elis e Eretria

  Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escolas de Elis e Eretria - Escolas socráticas menores

 Escolas socráticas menores

Após a morte de Sócrates, seu pensamento continuou a influenciar a evolução da filosofia em Grécia. Sócrates nada escreveu, suas aulas eram orais e o aprendizado se dava, também, pela observação que seus discípulos faziam de sua vida e dos debates públicos nos quais se envolvia aleatoriamente na cidade de Atenas. Os principais socráticos são considerados como sendo Platão, e mesmo Aristóteles, mas há outros também importantes. Alguns se dedicaram a divulgar as ideias do mestre e outros fundaram suas próprias escolas, estas outras escolas de filosofia são chamadas de Escolas Socráticas Menores, em número de cinco, que alguns comentadores reduzem para quatro, fundindo a escola de Elis com a de Eretria, na chamada Escola Élico-Erétrica.

Apesar das diferenças, há uma concordância entre todas as Escolas socráticas menores e o pensamento do filósofo Sócrates, de que o maior bem que o humano pode se propor a atingir é a sabedoria. Em verdade, podemos entender que os discípulos de Sócrates priorizaram um ou outro de seu ensinamento ou de sua personalidade, afinal, o material a que temos acesso indica que a personalidade, o modo de ensinar e os ensinamentos de Sócrates não eram simples e sim bem complexos.

 


1- Escola de Élis – Fédon (século V e IV a.C.)

A Escola de Élis ou Elíaca foi fundada na cidade de Élis, por Fédon, discípulo de Sócrates e se aproxima teoricamente da abordagem empreendida por outra Escola, a Escola Megárica. Muito presente neste movimento temos a dialética. A tradição nos informa que Fédon foi autor de pelo menos duas obras, hoje perdidas, “Zopyro” e “Simón”. Há um diálogo de Platão que leva o nome de Fédon, no qual é narrada a prisão e morte de Sócrates.

Fédon pertencia a classe alta de sua cidade, mas durante uma das guerras entre os próprios gregos, foi capturado e vendido como escravo, tendo sido liberto por Sócrates, de quem se tornou discípulo. Após a morte de Sócrates, na qual esteve presente, retornou a sua cidade natal, Élis, onde fundou uma escola de filosofia, a qual mais tarde foi transferida para a cidade de Eretria por um de seus discípulos, Menedemo. Há comentadores que juntam as duas escolas sob o nome de escola Élico-Erétrica.

Com relação a Escola de filosofia de Élis e sua continuação em Eretria, pouco ou quase nada sabemos, bem como sobre as ideias defendidas na escola, mas especula-se que os temas eram tratados de modo similar ao adotado por seu mestre, Sócrates. Neste caso, a escola teria mantido uma abordagem eminentemente ética, na qual daria destaque ao valor da virtude.

Fédon dava grande valor ao poder reformador da educação e da virtude, tendo como exemplo a si mesmo (que foi da condição de escravo e prostituto, para a de filósofo) e Sócrates. A filosofia tem por objetivo a salvação e liberdade, já a virtude é igualada ao conhecimento enquanto ciência e sabedoria.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: Escola de Eretria

Palavra-chave: educação / virtude

 

2- Escola de Eretria – Menedemo de Eretria (339/337-265/278 a.C.)

Fundada por Menedemo, discípulo de Estilpón (360-280 a.C.) e de Fédon, aborda como tema central a identidade da verdade e da virtude, bem como do verdadeiro com o bom, seguindo o pensamento socrático. O ser pode ser identificado ao bem, a virtude pode ser identificada a ciência. Entendia que existia uma única virtude, sendo esta a sabedoria, todas as demais virtudes que possamos imaginar são outros nomes para a mesma virtude, que é a sabedoria. Identifica o ser ao bem e priorizava o rigor da moral na conduta humana.

Do mesmo modo que acontece com a Escola de Élis, da qual esta é continuadora, pouco ou quase nada sabemos sobre suas doutrinas, mas admite-se que se assemelhava a filosofia praticada por Sócrates, dando ênfase à dialética.

Sofre influência de: Sócrates – Escola de Élis

Influencia: Escola megárica

Palavra-chave: sabedoria / virtude

 

3- Escola megárica ou de Megara – Euclides de Mégara (450-340 a.C.)

Fundada por Euclides. Só existe o Bem e nada mais. Não podemos conhecer a verdade pelos sentidos (estes são enganosos, ilusão), somente pela razão. Afirma a não existência do múltiplo/pluralidade, do movimento, da mudança e do devir (Parmênides e Zenão), afirma a imutabilidade de tudo. Prioriza o bem, a virtude, a ética (Sócrates). Nega a existência do mundo das ideias de Platão. Temos presente os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos. Temos o desenvolvimento da lógica, dialética e eurística (debates, disputas) estudo de paradoxos e enigmas lógicos, redução ao absurdo, lógica proposicional, influencia na lógica estóica.

Sofre influência de: Sócrates – Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso)

Influencia: Cínicos e Estoicos

Palavra-chave: lógica

 

4- Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene (435-360 a.C.)

Fundada por Aristipo. Defende o cosmopolitismo. Entende que conhecemos somente as nossas percepções e que aquilo que percebo (doce, amargo, branco, preto) não é o próprio objeto, pois pessoas diferentes podem ter percepções diferentes de um mesmo objeto. São subjetivistas, sensualistas e materialistas. Entende que a felicidade é o somatório dos momentos de prazer no presente, passado e futuro, já o prazer é momentâneo e vinculado às sensações. Propõe a busca do prazer e a evitação da dor. O prazer é o único bem na vida e a dor é o único mal. O prazer é entendido como o bem supremo. A virtude se encontra na moderação dos prazeres, para que estes não se transformem no futuro em motivo de dor.

Sofre influência de: Sócrates - Protágoras

Influencia: Epicurismo

Palavra-chave: prazer

 

5- Escola Cínica – Antístenes (444-365/370 a.C.) e Diógenes de Sinope (413-324 a.C.)

Fundada por Antístenes e Diógenes. Contrários à escravidão, defendem o cosmopolitismo e total autarquia (autossuficiência moral), buscam a felicidade pelo desapego de todas as coisas desnecessárias para viver. Propõe uma vida ascética (disciplina e autocontrole, do corpo e mente), livre do luxo, das paixões e da riqueza. Busca a liberdade e independência.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: cristianismo

Palavra-chave: ascetismo / desapego.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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