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Protágoras: O humano no centro de tudo

  Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Protágoras

 O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são.

Protágoras.

Acerca dos deuses, eu não posso saber se existem ou não, nem tampouco que forma podem ter. Há muitos impedimentos para sabê-lo, a obscuridade do assunto e a brevidade da vida humana.

Protágoras.

 Protágoras (490/480- 415/410 a.C.), nasceu em Abdera e dentre outras cidades, visitou Atenas. Em certa época foi acusado de impiedade e condenado à morte, mas conseguiu fugir de Atenas para a Sicília, vindo a falecer aos 80 anos de idade. Um de seus livros, “Sobre os deuses”, foi o motivo da acusação de impiedade contra os deuses da qual resultou sua condenação e fuga, tendo sido este livro queimado em praça pública. Em alguns relatos teria falecido na fuga de Atenas, pois seu barco teria afundado. De qualquer modo, se realmente ocorreu a denúncia por impiedade, seu real motivo foi político, visando perseguir os apoiadores de Péricles após a morte deste e de seus filhos pela peste. Protágoras também apresentou reais desenvolvimentos na gramática e na retórica.


 

Em Protágoras, como também em outros sofistas temos presente: o antropocentrismo, que substitui a natureza pelo humano no centro do debate; o relativismo, que permite desenvolver a defesa de teses contrárias, podendo todas serem verdadeiras de acordo com o ponto de vista e argumentos empregados em sua defesa; o subjetivismo, que retira a ênfase da realidade objetiva e a põe nas emoções e valores humanos; o pragmatismo, que objetiva o sucesso, a praticidade; o utilitarismo, que busca o útil em detrimento a outros valores; o fenomenismo, que valoriza o que aparece, as aparências; o agnosticismo, que defende não poder opinar sobre a existência ou não de deuses e a veracidade sobre questões religiosas; o convencionalismo, que aceita que a verdade é formada por uma acordo social baseado nas tradições e na repetição de determinados comportamentos e atitudes; a razão instrumental, o instrumentalismo da razão; o particularismo, empirismo; o humanismo, que põe o humano no centro das decisões, da verdade, dos valores, da sociedade.


 

Tudo muda, fazendo eco ao “panta rei” de Heráclito, há uma mudança incessante de tudo a nossa volta. Em seu pensamento encontramos o subjetivismo, relativismo e ceticismo, de modo que, a moral e a justiça não são universais, pois, cada humano ou sociedade diferente terá uma visão distinta sobre o que seja o bem e o mal.

Se o homem (se referindo ao ser humano) no sentido individual ou no sentido universal, é a medida de todas as coisas como o queria Protágoras (O homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, das que não são, enquanto não são), temos duas possibilidades, ou entendemos que este humano é a medida de todas as coisas no sentido universal e não individual, e deste modo nos afastamos de um relativismo absoluto ao nos aproximar de uma visão kantiana (fenômeno e numeno) ou piagetiana (ação sobre o objeto), ou nos encaminhamos para um total relativismo, onde cada humano em particular possui uma medida e um conhecimento que lhe é verdadeiro para si somente, e não para os demais.

Aqui nos deparamos inicialmente com duas possibilidades de interpretação de Protágoras quando afirma que o homem é a medida de todas as coisas. Primeiro temos o entendimento que este homem do qual nos fala Protágoras é o homem individual, cuja experiência é particular a cada indivíduo, igualando também conhecer com perceber. Como percebemos o mundo, assim o mundo é para nós. Se o verdadeiro se iguala a uma percepção particular da realidade, então passamos a estar diante de uma visão subjetivista do mundo que poderíamos chamar de subjetivismo empírico, onde conhecimento é percepção individual. Estamos diante também do relativismo. Mas já que o humano vive em sociedade, a verdade aceita neste grupo se dá pelo que podemos chamar de convencionalismo, ultrapassando a verdade individual de cada um. Nos aproximamos, deste modo, de uma segunda visão de homem, agora o homem universal, no qual o conhecimento é tido como verdadeiro não para um só elemento e sim para o grupo de humanos como tal. Uma interpretação dos escritos de Platão, Aristóteles e Sexto Empírico parece indicar que o entendimento de Protágoras era no sentido do homem individual e não universal, o que aproximaria o pensamento de Protágoras da ideia de “panta rei”, tudo flui, presente no elemento fogo proposto por Heráclito.

Uma terceira via interpretativa se coloca entre o total relativismo de uma verdade para cada humano, pois cada qual percebe a realidade de uma forma única e particular, e por outro lado, entre a percepção do humano enquanto espécie, que traz medidas válidas para toda a espécie humana, pois a forma de percebermos a realidade circundante é oriunda dos instrumentos que nossa espécie possui para percebê-la. Nesta visão intermediária, temos que os humanos constroem todas as medidas que usamos em sociedade, portanto, se aplicaria ao homem social, pois, ao vivermos em sociedade todas as medidas e valores ali existentes são criações humanas. De qualquer modo, ao afirmar ser o homem a medida de todas as coisas, não estava Protágoras no mesmo caminho dos pré-socráticos com a physis, aqui o entendimento é válido somente para medidas humanas e compartilhadas por humanos e não para o cosmos ou a natureza, ou seja, nós não somos a medida de um vulcão, e sim somente da percepção que temos deste vulcão.

Também segundo o pensamento de Protágoras, pode-se entender que todo argumento possui sempre a possibilidade de desenvolvimento de duas teses contrárias, uma favorável e outra contrária, sendo ambas válidas e defensáveis, posição esta conhecida por “antilogia”.

Esta atitude relativista também é levada para as religiões e os deuses, onde passamos a ter uma indiferença sobre se deuses existem ou não, o que nos traz o agnosticismo, onde se abstém de afirmar que os deuses existam ou não existam.

Afinal, a relação entre o sujeito que conhece e o objeto que é conhecido, esta medida dada ao conhecimento, é pessoal ou pertence a nossa espécie e deste modo universal a todos da mesma espécie? Estaríamos ou não diante de conceitos tais como universalidade e necessidade, mesmo que em germe? Se igualamos perceber a conhecer e priorizamos os dados empíricos, estamos diante de uma relação fenomênica, onde por fenômeno temos aquilo que aparece, ou seja, as aparências. Caminhando por tal caminho, o homem enquanto medida de tudo nos põe diante do homem individual, ou do homem universal ou do homem social, mas de qualquer modo, cabe a este humano ser aquele que tudo mede, valora, determina, não havendo posse de verdade fora deste contexto que coloca o humano no centro de tudo, deste antropocentrismo.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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