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Benedetto Croce: vida, pensamento, filosofia e principais obras

 

"Ogni vera storia è storia contemporanea."

"Toda verdadeira história é história contemporânea."

Benedetto Croce, Teoria e storia della storiografia.

 

Por: Silvério da Costa Oliveira.

 

Benedetto Croce

 

Antes de examinar os principais conceitos desenvolvidos por Benedetto Croce, convém observar que seu pensamento constitui um dos sistemas filosóficos mais abrangentes produzidos pela tradição idealista italiana. Embora profundamente influenciado por Hegel e por Giambattista Vico, Croce elaborou uma filosofia original, centrada na compreensão da história como expressão do espírito humano em permanente desenvolvimento. Sua obra exerceu influência sobre a filosofia, a historiografia, a crítica literária, a estética e a teoria política, tornando-o um dos intelectuais italianos mais importantes do século XX.

 

1- Vida

 

Benedetto Croce (1866-1952) nasce em 25 de fevereiro de 1866, em Pescasseroli, na região montanhosa dos Abruzos, no sul da Itália e falece aos 86 anos em Nápoles, Itália. Proveniente de uma família rica e influente de proprietários de terras. Viveu uma infância confortável, marcada inicialmente por uma educação católica rigorosa.

Seus pais, Pasquale e Luisa Sipari, bem como sua irmã Maria, morreram de modo trágico em 1883, durante um terremoto que acometeu a vila de Casamicciola Terme, na ilha de Ísquia (Ischia), onde a família passava férias. Este incidente, ocorrido quando Croce tinha 17 anos de idade, irá marcar profundamente a vida de Croce, ele mesmo, além de perder a família no evento, quase também morreu, tendo sido soterrado por várias horas à época. O irmão mais novo, Alfonso, também sobreviveu. Como sobrevivente, herdou a fortuna da família, o que lhe garantiu independência econômica vitalícia.


 

Após este terrível incidente, morou em Roma, na casa de seu tutor, Silvio Spaventa, importante figura política e intelectual conservadora, primo de seu pai (a mãe de Silvio, Maria Anna Croce, era tia-avó de Benedetto) até o ano de 1886, quando retorna para Nápoles. Ainda adolescente, afastou-se da fé religiosa tradicional, desenvolvendo uma visão espiritual própria, na qual a religião era compreendida como instituição histórica e expressão da criatividade humana, perspectiva que manteve ao longo de toda a sua existência.

Croce estudou Direito formalmente na Universidade de Nápoles, mas não chegou a graduar-se, e, como autodidata, dedicou-se a outros temas também de seu interesse. Antonio Labriola o apresentou ao marxismo e também ao filósofo Hegel. Foi o fundador, conjuntamente com Giovanni Gentile, da revista “La critica”, em 1903, que exerceu grande influência cultural na Itália, tornando-se uma das mais influentes publicações culturais italianas do século XX, na qual publicou extensos ensaios de filosofia, história, crítica literária e política. Sua residência em Nápoles, o Palazzo Filomarino, tornou-se um importante centro de vida intelectual.

A tragédia juvenil parece ter aprofundado nele uma seriedade existencial e uma dedicação intensa ao trabalho intelectual. A partir de 1893, influenciado especialmente por Giambattista Vico (de quem chegou a adquirir a antiga residência em Nápoles), Croce voltou-se de forma decisiva para a filosofia e a história. Seu encontro com o filósofo Giovanni Gentile foi fundamental, pois, Gentile incentivou-o a aprofundar os estudos sobre Hegel, autor que Croce analisaria criticamente em obras posteriores, como “O que está vivo e o que está morto na filosofia de Hegel” (1907).

Croce casou-se em 1914 com Adele Rossi, com quem teve cinco filhos no total, quatro filhas (Elena, Alda, Lidia, Silvia) e um filho, Giulio, falecido ainda na infância. Antes, manteve uma longa relação com Angelina Zampanelli (falecida em 1913). No transcorrer de sua vida adulta, atuou como filósofo, historiador e político.

Croce engajou-se ativamente na vida pública italiana. Fez carreira política, ocupando o cargo de deputado e sendo nomeado senador vitalício em 1910 e ministro da educação entre 1920 - 1921. Foi ministro sem pasta no gabinete Badoglio, entre abril e junho de 1944, e no primeiro gabinete Bonomi, entre junho e julho de 1944. Presidiu o Partido Liberal até 1947 e ocupou a presidência honorária até 1948, além de ter sido consultor e deputado na Assembleia Constituinte, tornando-se senador vitalício em 1948. Apesar de inicialmente apoiar o governo de Benito Mussolini, posteriormente fez oposição ao fascismo. Após a queda do regime participou da Assembleia Constituinte. Em resposta ao “Manifesto dos Intelectuais Fascistas” promovido por Giovanni Gentile, Croce redigiu o “Manifesto dos Intelectuais Antifascistas”, publicado em 1º de maio de 1925.

Em virtude de suas opiniões políticas, segundo comentadores, esteve constantemente vigiado no decorrer do governo fascista de Mussolini e no ano de 1943 foi mantido sob custódia e teve sua liberdade bastante restringida conjuntamente com outras lideranças antifascistas italianas e mandados para a retaguarda das tropas alemãs, em Sorrento. Após a batalha de Salermo, na qual as tropas inglesas venceram, Croce foi libertado e pode retornar ao convívio de sua família e amigos. Aqui, no entanto, para ser mais exato, Croce já morava em Sorrento (Villa Tritone) desde dezembro de 1942, tendo se refugiado ali por causa dos bombardeios aliados a Nápoles, logo não foi "mandado" para lá pelos alemães como sugerem alguns comentadores. Em setembro de 1943, com o armistício e o avanço aliado em Salerno, os alemães em retirada planejavam capturá-lo como refém, justamente por seu prestígio antifascista. Foi então resgatado por um oficial britânico (tenente Adrian Gallegos) e levado de barco, com parte da família, para Capri, que já estava em mãos aliadas. Portanto, permaneceu morando em Sorrento/região até praticamente o fim de 1945.

Sua oposição ao fascismo de Benito Mussolini foi constante e corajosa. Embora inicialmente tenha subestimado o movimento, Croce tornou-se uma das vozes mais proeminentes do antifascismo liberal italiano. Recusou-se a aderir ao regime, assinou o Manifesto dos Intelectuais Antifascistas (1925), redigido por ele próprio, e sofreu vigilância, censura e isolamento cultural. Durante a ditadura, suas obras históricas, como a Storia d’Italia dal 1871 al 1915 (1928), foram lidas como críticas veladas ao autoritarismo. Em 1944, após a queda do fascismo, participou ativamente da reconstrução democrática, defendendo o liberalismo e o historicismo como bases éticas e políticas.

Benedetto Croce faleceu em Nápoles, em 20 de novembro de 1952, aos 86 anos. Sua vida, marcada pela tragédia precoce, pela independência material e por um compromisso inabalável com a liberdade intelectual, reflete-se profundamente em sua obra: um pensamento que coloca a história, a criatividade humana e a defesa da liberdade no centro da existência espiritual.

 

2- Ideias

 

É considerado um eminente representante do neohegelianismo e do neoidealismo italiano, mas também sofre influência da tradição historicista de Vico. Não se pode dizer que se trata de uma visão hegeliana pura, já que não aceita certas partes da teoria de Hegel. Sua ênfase em Hegel se direciona mais para a dialética, a primazia do pensamento para a compreensão da realidade e a ideia do espírito. Croce desenvolveu uma vasta produção literária e filosófica, passando de 4 mil títulos de sua autoria, boa parte formada por pequenos textos.

O pensamento de Benedetto Croce constitui uma das últimas grandes sínteses idealistas do século XX. Herdeiro crítico de Hegel e de Vico, mas também dialogando com o marxismo (do qual se afastou), o positivismo e o romantismo, Croce elaborou um historicismo absoluto ancorado na concepção de Espírito como realidade única e dinâmica. Para ele, não existe nada fora da história: a realidade é história e o espírito se realiza integralmente no devir histórico.

Segundo o pensamento de Croce a atividade espiritual se divide em teorética e prática. Por sua vez, tanto a teorética como a prática possuem cada qual dois graus. Deste modo, na atividade espiritual teorética temos a intuição ou conhecimento do individual, e o conceito ou conhecimento do universal. Na atividade espiritual prática temos o útil ou volição do individual, e o bem moral ou volição do universal. Deste modo, podemos falar em quatro graus de atividade espiritual, a saber: 1- arte (intuição), 2- filosofia (conceito). 3- economia (útil), 4- moral (bem).

O ponto central dentro do sistema filosófico desenvolvido por Croce se encontra no conceito da dialética dos distintos, que busca a integração da dialética dos opostos proposta por Hegel.

A Filosofia do Espírito

O núcleo de seu sistema é a Filosofia dello spirito (1902-1917), dividida em quatro momentos ou “distintos” eternos e irredutíveis:

 

Estético — intuição-expressão (arte);

Lógico — conceito puro (filosofia);

Econômico — vontade voltada ao útil (economia e direito);

Ético — vontade voltada ao universal (moral).

Diferentemente da dialética hegeliana dos opostos, Croce propõe a dialética dos distintos: os quatro graus são autônomos, mas formam uma unidade orgânica no espírito. Nenhum deles pode ser reduzido aos outros, embora todos se pressuponham reciprocamente. Essa autonomia das formas espirituais é um dos traços mais marcantes e influentes de seu pensamento.

Estética: Arte como Intuição-Expressão

A contribuição mais célebre de Croce reside na estética. A arte não é prazer sensível, nem moralidade disfarçada, nem conceito filosófico, nem imitação da natureza. Ela é intuição lírica, forma pura e originária de conhecimento. Antes de qualquer lógica ou conceito, o espírito capta o real como imagem individual e expressiva. Intuição e expressão são idênticas: não existe intuição sem expressão, nem expressão autêntica sem intuição.

Essa tese implica a rejeição dos gêneros literários fixos, dos estilos preestabelecidos e da separação tradicional entre forma e conteúdo. Toda verdadeira obra de arte é única e insubstituível, manifestação concreta da universalidade do espírito. A crítica estética, por sua vez, deve ser reatualização da intuição do artista, e não aplicação de regras externas.

Lógica e Historicismo Absoluto

Na Logica come scienza del concetto puro, Croce distingue o conceito puro (universal concreto) dos pseudo-conceitos das ciências naturais e empíricas. O conceito puro é pensamento da realidade em sua historicidade. A filosofia não é, portanto, sistema abstrato de verdades eternas, mas reflexão sobre a história.

Daí decorre seu historicismo absoluto: “toda história é história contemporânea”. O passado só existe enquanto pensado no presente. Não há fatos brutos; o conhecimento histórico é sempre juízo valorativo e, simultaneamente, autoconhecimento do espírito. A história não é ciência objetiva nem narrativa neutra, é filosofia em ato.

Filosofia da Prática e Liberalismo Ético

Nas esferas econômica e ética, Croce defende a autonomia do útil (econômico) em relação ao bem moral. A ação econômica é legítima em si, desde que não pretenda substituir a moral. No plano ético-político, Croce foi um liberal convicto. A liberdade não é mero direito formal, mas a própria essência do espírito em sua atividade criadora. O Estado deve garantir as condições para o pleno desenvolvimento das distintas atividades espirituais, sem absorvê-las.

Seu antifascismo não foi apenas político, mas filosófico: o totalitarismo representava a negação violenta da autonomia dos distintos e da liberdade como processo histórico.

Críticas e Legado

O pensamento crociano foi criticado por seu suposto “esteticismo” excessivo, por certo intelectualismo e por uma visão da história que alguns consideraram excessivamente idealista e pouco atenta às estruturas materiais. Giovanni Gentile, seu antigo colaborador, rompeu com ele e desenvolveu um atualismo mais radical e, posteriormente, alinhado ao fascismo.

Apesar dos percalços históricos, o legado de Croce permanece vivo. Sua defesa intransigente da autonomia da cultura, da liberdade intelectual e da centralidade da história como horizonte de sentido influenciou gerações de intelectuais italianos e europeus. Em tempos de irracionalismos, dogmatismos e novas formas de autoritarismo, o historicismo crociano continua a oferecer uma poderosa ferramenta crítica: a afirmação de que o humano se realiza na história concreta, pela criação incessante do espírito livre.

 

3 – Palavras finais

 

A influência exercida por Benedetto Croce ultrapassou amplamente os limites da filosofia. Seu pensamento marcou profundamente a historiografia, a teoria da arte, a estética, a crítica literária e o liberalismo italiano do século XX. Sua defesa da autonomia da cultura, da liberdade intelectual e do estudo histórico contribuiu decisivamente para a renovação da vida intelectual italiana após o predomínio do Positivismo no final do século XIX, reafirmando a importância das dimensões históricas, culturais e espirituais da experiência humana.

Embora tenha sido um dos mais importantes representantes do idealismo italiano, Croce nunca se limitou a repetir Hegel. Sua releitura crítica da tradição idealista, combinada com a influência exercida por Giambattista Vico, deu origem a um historicismo original, que permaneceu como uma das grandes referências da filosofia europeia do século XX.

Sua influência estendeu-se muito além de seus seguidores imediatos. Mesmo pensadores que divergiam profundamente de suas posições reconheceram sua importância intelectual. Antonio Gramsci, por exemplo, dedicou numerosas análises críticas ao pensamento crociano nos Cadernos do Cárcere, considerando-o um dos mais importantes representantes da cultura italiana de seu tempo. Ainda que rejeitasse seu idealismo e seu liberalismo, Gramsci reconhecia em Croce um interlocutor filosófico de primeira grandeza.

No campo da crítica literária e da estética, sua concepção da arte como intuição e expressão exerceu enorme influência sobre estudiosos da literatura e da cultura durante boa parte do século XX, contribuindo para renovar os estudos estéticos e afastando-os das interpretações excessivamente formalistas ou positivistas.

A repercussão internacional de sua obra também foi significativa. Seu historicismo dialogou com autores como R. G. Collingwood, José Ortega y Gasset e Erich Auerbach, além de influenciar diversos historiadores, filósofos e críticos literários europeus. Embora muitas de suas teses tenham sido posteriormente revistas ou criticadas, Benedetto Croce permanece como uma das figuras centrais da filosofia italiana contemporânea e um dos mais importantes defensores da liberdade intelectual diante dos totalitarismos do século XX. Seu legado continua vivo como expressão de um pensamento que procurou compreender a história não apenas como sucessão de acontecimentos, mas como realização permanente da criatividade e da liberdade do espírito humano.

 

4- Algumas das principais obras de Benedetto Croce

 

1- Materialismo storico ed economia marxistica. Título traduzido para o português: Materialismo Histórico e a Economia Marxista. Ano da primeira publicação: 1900.

Nesta obra inicial, Croce realiza uma crítica rigorosa ao materialismo histórico de Karl Marx. Ele rejeita o determinismo econômico como explicação total da história, defendendo que o marxismo contém elementos válidos como método de interpretação, mas falha ao transformar-se em filosofia metafísica ou em doutrina absoluta. O livro marca o afastamento progressivo de Croce do marxismo e o início de sua elaboração de um historicismo idealista.

2- L’Estetica come scienza dell’espressione e linguistica generale. Título traduzido para o português: A Estética como Ciência da Expressão e Linguística Geral. Ano da primeira publicação: 1902.

Primeira parte fundamental da Filosofia dello spirito. Croce define a arte como intuição-expressão, forma pura de conhecimento pré-lógico e pré-conceitual. A estética identifica-se com a linguística geral porque a expressão artística é idêntica à criação da linguagem. A obra afirma a autonomia da arte em relação à moral, à utilidade e à lógica, exercendo enorme influência na crítica literária e estética do século XX.

3- Logica come scienza del concetto puro. Título traduzido para o português: Lógica como Ciência do Conceito Puro. Ano da primeira publicação: 1905/1909.

Em 1905, Croce publicou uma versão preliminar ou “Lineamenti di una Logica come scienza del concetto puro” (esboço ou linhas gerais), apresentada originalmente na Accademia Pontaniana. A obra completa como livro, Logica come scienza del concetto puro, foi publicada em 1909 (pela editora Laterza), integrando-se plenamente à série Filosofia dello spirito. Essa distinção é comum nas bibliografias especializadas sobre Croce. A data de 1905 refere-se à primeira formulação pública do conteúdo, enquanto 1909 marca a publicação definitiva da obra no formato que conhecemos e que faz parte do sistema filosófico.

Segunda parte da Filosofia dello spirito. Croce distingue o conceito puro (universal concreto) dos pseudo-conceitos das ciências empíricas. A lógica é a ciência do pensamento que capta a realidade em sua concreticidade histórica. Ele desenvolve a teoria dos “distintos” (estético, lógico, econômico e ético) como momentos do espírito, opondo-se à dialética hegeliana dos opostos e propondo uma dialética dos distintos.

4- Ciò che è vivo e ciò che è morto della filosofia di Hegel. Título traduzido para o português: O que está vivo e o que está morto na filosofia de Hegel. Ano da primeira publicação: 1907.

Obra importante de transição no pensamento crociano. Nela, Croce realiza uma crítica seletiva ao sistema hegeliano, separando o que considera vivo (a dialética como instrumento de compreensão da história e da realidade concreta) do que considera morto (o panlogismo, o sistema fechado e a concepção finalista da história). Essa distinção permitiu a Croce assimilar criticamente o legado hegeliano, reelaborando-o em sua própria filosofia do espírito e em seu historicismo absoluto. O livro marca o amadurecimento de sua independência filosófica em relação a Hegel e influenciou profundamente sua produção posterior.

5- Filosofia della pratica, economica ed ética. Título traduzido para o português: Filosofia da Prática: Econômica e Ética. Ano da primeira publicação: 1909.

Terceira parte da Filosofia dello spirito. Trata das atividades práticas do espírito: a econômica (vontade voltada ao útil) e a ética (vontade voltada ao bem universal). Croce defende a autonomia da economia em relação à ética e elabora uma concepção liberal do Estado e da ação moral, ancorada na liberdade como valor supremo.

6- Breviario di Estetica. Título traduzido para o português: Breviário de Estética. Ano da primeira publicação: 1913.

Obra de caráter sintético e introdutório, escrita originalmente a partir de conferências proferidas na Universidade Rice, nos Estados Unidos. Nela, Croce apresenta de forma clara e acessível os princípios fundamentais de sua teoria estética, especialmente a concepção da arte como intuição e expressão. Embora mais breve que “A Estética como Ciência da Expressão” e “Linguística Geral”, tornou-se uma das obras mais difundidas do autor e uma importante porta de entrada para a compreensão de seu pensamento estético, exercendo ampla influência sobre a crítica literária e a teoria da arte ao longo do século XX.

7- Teoria e storia della storiografia. Título traduzido para o português: Teoria e História da Historiografia. Ano da primeira publicação: 1917.

Quarta e última parte sistemática da Filosofia dello spirito. Croce afirma que “toda história é história contemporânea” e que a historiografia é, em essência, filosofia. Rejeita a ideia de história como ciência objetiva ou como filosofia da história especulativa, propondo o historicismo absoluto: a realidade é história e o pensamento histórico é o único modo verdadeiro de conhecer o espírito em sua concretude.

8- Storia d’Italia dal 1871 al 1915. Título traduzido para o português: História da Itália de 1871 a 1915. Ano da primeira publicação: 1928.

Uma das obras historiográficas mais importantes de Croce. Escrita durante o regime fascista, apresenta uma interpretação liberal da formação do Estado italiano unificado, destacando o progresso civil e cultural do período. Funcionou como crítica velada ao fascismo ao valorizar a tradição liberal italiana.

9- Storia d’Europa nel secolo decimonono. Título traduzido para o português: História da Europa no Século XIX. Ano da primeira publicação: 1932.

Interpretação ampla da história europeia do século XIX como a “era da liberdade”. Croce analisa o triunfo e as crises do liberalismo, opondo-o tanto ao absolutismo quanto aos totalitarismos emergentes (fascismo e comunismo).

10- La storia come pensiero e come azione. Título traduzido para o português: A História como Pensamento e como Ação (ou A História como História da Liberdade). Ano da primeira publicação: 1938.

Obra madura que aprofunda o historicismo crociano. A história é simultaneamente pensamento (conhecimento) e ação (realização da liberdade). Croce defende o “estoricismo absoluto” contra o irracionalismo, o positivismo e as filosofias da decadência, reafirmando a liberdade como essência da vida humana e da atividade espiritual.

 

Silvério da Costa Oliveira.

 


 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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