“The difficulty lies, not in the new ideas, but in escaping from the old ones, which ramify, for those brought up as most of us have been, into every corner of our minds.”
Tradução para o português:
“A dificuldade não reside nas novas ideias, mas em escapar das antigas, que se ramificam, para aqueles que fomos educados como a maioria de nós, em todos os cantos de nossas mentes.”
John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest and Money, 1936, Prefácio.
Por: Silvério da Costa Oliveira.
John Maynard Keynes
1- Vida
John Maynard Keynes, barão de Keynes (1883-1946) nasceu em Cambridge, Inglaterra, Reino Unido e faleceu em Tilton, East Sussex então aos 62 anos de idade. Proveniente de abastada família com fortes vínculos acadêmicos. Seu pai, John Neville Keynes (1852-1949), era economista e lógico, autor de obras respeitadas sobre método em economia política, e mais tarde ocupou cargo administrativo importante na Universidade de Cambridge. Sua mãe, Florence Ada Brown (1861-1958), foi uma das primeiras mulheres a se formar na universidade e chegou a ser a primeira prefeita de Cambridge. Essa origem intelectual privilegiada marcou profundamente a formação de Keynes e sua confiança em intervir nos grandes debates da época.
Desde criança, Keynes demonstrou excepcional capacidade intelectual. Educado inicialmente em casa, ingressou com bolsa de estudos no prestigiado Eton College em 1897, onde se destacou em matemática, clássicos e história, conquistando dezenas de prêmios. Em 1902, obteve outra bolsa para o King’s College, em Cambridge, onde se formou em matemática, em 1905, com distinção. Durante os anos universitários, Keynes frequentou o influente círculo dos “Apostles” (Cambridge Apostles), uma sociedade secreta de debates intelectuais que reunia mentes brilhantes como Bertrand Russell, Lytton Strachey e Leonard Woolf. Foi ali que ele absorveu as ideias filosóficas de G. E. Moore, especialmente a ênfase na experiência pessoal, na beleza e nos estados de espírito como critérios últimos de valor, influência esta que jamais abandonaria por completo.
A partir do ano de 1906, Keynes passou a trabalhar no India Office, que era um departamento inglês que tinha como função administrar as colônias do império britânico. Manteve esta atividade até 1908, quando demitiu-se e retornou a Cambridge, ainda no ano de 1908. Após esta breve passagem pelo serviço público no India Office (1906–1908), onde coletou material para seu primeiro livro, Keynes retornou a Cambridge onde inicialmente deu aulas de economia com apoio de Alfred Marshall e Arthur Pigou, enquanto continuava trabalhando em sua dissertação sobre probabilidade. Ele dedicava grande parte de seu tempo à pesquisa em teoria da probabilidade, tema então considerado parte do campo da filosofia e da lógica, e não da economia propriamente dita. Em 1909, foi eleito Fellow de King’s College com base nessa dissertação, consolidando sua posição na universidade.
Paralelamente, desenvolveu intensa atividade financeira: especulava com sucesso no mercado de ações e commodities, acumulando uma fortuna considerável (A fortuna de Keynes foi volátil, teve perdas relevantes antes de conseguir consolidar ganhos) que lhe permitiu viver com conforto e patrocinar as artes. Em 1915, Keynes deixou seu cargo na faculdade para trabalhar no Tesouro Britânico, a pedido do governo. Sua principal função na instituição foi a de preparar a equipe do país que participaria do Tratado de Versalles, referente as indenizações correspondentes aos prejuízos advindos da primeira guerra mundial.
Fez parte do célebre Grupo de Bloomsbury, círculo de escritores, pintores e intelectuais que incluía Virginia Woolf, Vanessa Bell, Duncan Grant e Clive Bell. Keynes manteve relações íntimas com alguns membros do grupo, antes de se casar, em 1925, com a bailarina russa Lydia Lopokova (1892-1981), estrela dos Ballets Russes de Diaghilev. O casal não teve filhos desta relação. O casamento, inicialmente surpreendente para seus amigos, revelou-se feliz e estável, oferecendo-lhe equilíbrio emocional em meio às intensas atividades intelectuais e públicas. Antes deste casamento Keynes teve relacionamentos públicos com homens, dentre os quais se destaca o pintor escocês Duncan Grant (nascido em Inverness, Escócia, mas de família inglesa e criado na Inglaterra) e o escritor Lytton Strachey. Registra-se a partir deste momento grande fluxo de atividade homossexual em sua vida. Keynes participou ativamente do grupo de intelectuais que compunham o grupo de Bloomsbury, no qual predominava a permissividade sexual, indefinição de papéis sexuais de gênero e total respeito à liberdade individual. Este tema biográfico da vida sexual de Keynes foi desenvolvido por Robert Skidelsky (John Maynard Keynes: Hopes Betrayed 1883–1920 - Volume 1, 1983).
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) projetou Keynes para o centro dos acontecimentos mundiais. Trabalhando no Tesouro britânico, ele participou da delegação inglesa nas negociações do Tratado de Versalhes em 1919. Fez, portanto, parte da conferência de Paris como delegado representando a Inglaterra no tocante às reparações devidas pela Alemanha ao final da primeira guerra mundial, mas por discordar do andamento das tratativas, se afastou das discussões, renunciando ao cargo.
Profundamente insatisfeito com as duras reparações impostas à Alemanha, Keynes renunciou ao cargo em protesto. Este envolvimento direto nas discussões sobre as reparações devidas e a paz, gerou reflexões que deram origem a sua obra de 1919, The economic consequences of peace (As consequências econômicas da paz), obra que o tornou famoso internacionalmente. Nela, além de acusar a delegação da França pela inflexibilidade e dureza em relação as reparações devidas pela Alemanha, previu com clareza que as condições do tratado levariam a instabilidade econômica, inflação e ressentimento na Europa, profecia que a história confirmaria tragicamente.
Nos anos seguintes, Keynes alternou ensino em Cambridge, jornalismo influente, especulação financeira e aconselhamento governamental. Criticou o retorno ao padrão-ouro na Grã-Bretanha em 1925, argumentando que ele prejudicaria a indústria e o emprego.
A Grande Depressão, iniciada em 1929, reforçou sua convicção de que os mecanismos automáticos do mercado não bastavam para garantir o pleno emprego. Sua saúde, porém, começou a sofrer: em 1937 sofreu um infarto, o que o obrigou a reduzir o ritmo, embora não tenha interrompido suas atividades.
Em 1942, recebeu o título de Barão Keynes de Tilton, e ingressou na Câmara dos Lordes. Durante a Segunda Guerra Mundial, Keynes voltou ao Tesouro britânico e representou o Reino Unido na Conferência de Bretton Woods (1944), onde ajudou a desenhar as instituições econômicas do pós-guerra (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial). Keynes teve um papel de destaque na Conferência de Bretton Woods, 1944, que colocou as bases adotadas no sistema monetário internacional no pós-segunda guerra mundial. Embora tenha sido parcialmente sobrepujado pela delegação americana, suas ideias sobre a necessidade de cooperação internacional e de mecanismos para evitar desequilíbrios globais deixaram marca profunda. Em diversos momentos críticos da história, Keynes atuou como conselheiro do governo britânico.
Keynes publicou diversas obras, mas sua mais importante é “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, 1936, uma obra tardia e na qual suas ideias se encontram já bem maduras. Keynes é reconhecido como economista cuja obra afetou a teoria e prática da macroeconomia e as políticas econômicas adotadas pelos governos. Keynes também foi membro do Partido Liberal na Inglaterra.
A obra de Keynes deve ser lida e pensada dentro de seu tempo histórico, que inclui o entre guerras (primeira e segunda guerra mundial) e a crise da bolsa de Nova York gerando a grande recessão mundial. Segundo muitos comentadores, o New Deal proposto pelo governo de Franklin Delano Roosevelt nos EUA após a crise da bolsa, visando superar os efeitos da recessão e o estado de bem-estar social adotado pós-segunda guerra mundial por alguns países europeus, mostram a vitalidade e adoção das ideias de Keynes para a solução prática de problemas macroeconômicos, estes pontos serão, no entanto, aqui debatidos e criticados no transcurso deste artigo.
As ideias de Keynes influenciaram após a segunda guerra mundial e diante da ameaça representada pela URSS com seu suposto governo dentro de um modelo comunista / socialista, a criação do Estado de bem-estar social. Esta proposta foi adotada em particular em alguns países europeus (como Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia), sendo que estes ficaram conhecidos como praticantes do keynesianismo nórdico.
Keynes atuou junto a economia política e a teoria da probabilidade. Diversos comentaristas o consideram o precursor do conceito de macroeconomia. Justamente pelo keynesianismo defender a interferência do Estado na economia, visando garantir o equilíbrio econômico e o emprego, é ele tido como oposto ao liberalismo.
Keynes se opõe ao liberalismo, isto é verdade, no entanto há um pequeno problema aqui que deve ser esclarecido. O problema é que “liberalismo” não é uma coisa única, o termo “liberalismo” não designa uma doutrina única e homogênea. É possível distinguir ao menos três níveis: liberalismo clássico, liberalismo político e neoliberalismo. O liberalismo clássico, tal como formulado por autores como Adam Smith e David Ricardo, baseia-se na ideia de que o mercado possui mecanismos autorreguladores capazes de conduzir a economia ao equilíbrio, com mínima necessidade de intervenção estatal. Sustenta, portanto, o princípio do laissez-faire e a autorregulação do mercado. O liberalismo político, característico da tradição inglesa, é centrado na defesa das liberdades individuais, das instituições representativas e da economia de mercado. Já o neoliberalismo contemporâneo, em autores como Friedrich Hayek e Milton Friedman, reforça a crítica ao intervencionismo e defende a limitação do papel do Estado na economia. Embora Keynes tenha sido membro do Partido Liberal inglês e jamais tenha se identificado com o socialismo ou o comunismo, sua teoria econômica se afasta de maneira significativa dos princípios centrais do liberalismo econômico clássico e também das formulações posteriores do neoliberalismo. Keynes rompe claramente com o liberalismo econômico clássico e se opõe a diversos aspectos do neoliberalismo, ao sustentar que o mercado pode falhar de forma estrutural, produzindo desemprego involuntário persistente e crises prolongadas, o que exige a atuação ativa do Estado por meio de políticas fiscais e monetárias. No entanto, ele permanece inserido na tradição do liberalismo político britânico, sendo defensor das instituições liberais e do capitalismo. Keynes não é anti-liberal, ele é anti-laissez-faire clássico e crítico de certas formas de liberalismo econômico. Nele temos oposição ao liberalismo econômico clássico, crítica ao laissez-faire e divergência com o neoliberalismo contemporâneo. É importante destacar que Keynes era liberal dentro da tradição reinante em seu país, que era inclusive membro do Partido Liberal e publicamente defensor do capitalismo contra o comunismo/socialismo. Assim, ao afirmar que Keynes se opõe ao liberalismo, deve-se compreender essa oposição no plano da teoria econômica (especialmente contra o laissez-faire) e não como rejeição da tradição político-institucional liberal à qual ele próprio pertenceu. Embora permaneça no interior de uma defesa do capitalismo, sua concepção não se insere na doutrina liberal em seu sentido econômico clássico, mas representa uma inflexão decisiva em direção a um modelo no qual o Estado assume papel central na estabilização da economia.
Sua vida reflete a passagem de um intelectual brilhante, pertencente à elite cultural britânica, para um ator central na reconstrução do mundo após duas guerras mundiais. Mais do que um economista técnico, Keynes foi um pensador que combinou rigor matemático, sensibilidade estética (graças ao Grupo de Bloomsbury) e pragmatismo político. Sua trajetória ilustra como ideias nascidas em salas de Cambridge e salões londrinos podiam moldar políticas que afetariam milhões de seres humanos no século da contemporaneidade. Keynes faleceu em 21 de abril de 1946, aos 62 anos, em sua casa de campo em Tilton, East Sussex, vítima de outro ataque cardíaco, logo após retornar de negociações em Washington. Morreu como um dos economistas mais influentes do século XX, tendo revolucionado não apenas a teoria econômica, mas também a forma como governos contemporâneos lidam com crises, desemprego e estabilização da demanda.
2- Ideias
John Maynard Keynes não foi apenas um economista técnico; foi um pensador que rompeu com os pressupostos centrais da economia clássica e lançou as bases da macroeconomia contemporânea. Sua contribuição principal reside na demonstração de que o desemprego involuntário pode persistir mesmo em condições de equilíbrio de mercado e de que o nível geral de atividade econômica é determinado pela demanda agregada, e não apenas pela oferta. Para ele, o Estado deve atuar ativamente por meio de políticas fiscais e monetárias para estabilizar a economia, combater o desemprego e promover o pleno emprego. Essas ideias representaram uma verdadeira revolução no modo de compreender o funcionamento das economias capitalistas no século XX.
Cabe destaque a sua teoria econômica e também a sua teoria sobre a probabilidade. Antes de revolucionar a macroeconomia, Keynes dedicou-se profundamente à filosofia da probabilidade. Em 1921, publicou A Treatise on Probability (Tratado sobre a Probabilidade), obra que representa uma de suas contribuições mais originais e que exerceu influência silenciosa, mas decisiva, em toda a sua obra posterior.
Diferentemente da visão clássica que reduz a probabilidade a frequências observáveis ou a cálculos puramente matemáticos, Keynes propôs uma interpretação lógica da probabilidade. Para ele, a probabilidade não é um número objetivo extraído de dados repetidos, mas uma relação lógica entre um conjunto de evidências (premissas) e uma hipótese (conclusão). Trata-se de um grau racional de crença que se pode atribuir a uma proposição com base nas informações disponíveis. Nem sempre essa relação pode ser expressa numericamente de forma precisa ou comparável entre diferentes situações.
Keynes introduziu ainda o conceito de peso da evidência (weight of argument). Mesmo quando atribuímos uma probabilidade numérica a um evento, é essencial avaliar quão completa e sólida é a base de conhecimento sobre o qual essa probabilidade se apoia. Um argumento pode ter alta probabilidade, mas baixo peso (pouca evidência confiável), o que reduz sua utilidade prática para a tomada de decisão.
Essa reflexão filosófica sobre a probabilidade e a incerteza foi fundamental para a economia keynesiana. Na Teoria Geral (1936), Keynes distingue claramente entre risco (situações mensuráveis, onde a probabilidade pode ser calculada) e incerteza verdadeira (situações em que não dispomos de base estatística suficiente para atribuir probabilidades confiáveis). É nessa incerteza radical que os “espíritos animais” (impulsos de otimismo ou pessimismo irracional) ganham força, e que a preferência pela liquidez se intensifica. Os investidores não agem como calculadores frios de probabilidades; eles navegam num mundo onde o futuro é, em grande medida, incognoscível.
A teoria da probabilidade revela, portanto, o Keynes mais filosófico: um pensador influenciado pelo ambiente de Cambridge e pelo Grupo de Bloomsbury, que nunca separou completamente a análise econômica da reflexão sobre o conhecimento humano, a racionalidade limitada e os limites da previsão científica. Sem essa base, dificilmente se compreenderia por que ele insistiu tanto na necessidade de intervenção estatal ativa diante de crises que o mercado sozinho não consegue resolver.
Keynes defendia uma política de expansão econômica com a geração e aumento do poder aquisitivo e do nível de vida dos trabalhadores com pleno emprego e aumento da produção. A teoria proposta na obra de Keynes ficou conhecida por seus seguidores como “teoria keynesiana”. Em síntese, Keynes argumentava que o governo das nações tem um importante papel a desempenhar na macroeconomia, visando estabilizar a economia por meio de intervenções fiscais. Neste tocante entra como instrumento os gastos públicos e as políticas monetárias. O governo pode, por meio de suas políticas monetárias, atuar no controle da oferta de moeda e nas taxas de juros adotadas pelo mercado. Deste modo, é papel do governo estimular a demanda agregada visando manter o emprego e prevenir prolongadas recessões.
Keynes prega uma política estatal intervencionista e protecionista atuando por meio de impostos nas importações e equilibrando a balança aduaneira, de modo a eliminar o déficit comercial. Cabe a ressalva, no entanto, que Keynes não era um protecionista sistemático, suas posições variaram ao longo da vida e ele próprio reconhecia tensões entre protecionismo e cooperação internacional (como em Bretton Woods). Keynes faz críticas ao livre comércio e propõe que este seja regularizado. Também buscou a autossuficiência das nações, no tocante ao máximo de produtos possíveis para seu consumo.
Dentre os principais conceitos desenvolvidos na obra de Keynes temos: demanda agregada; intervenção do governo; política monetária; pleno emprego; ciclos econômicos. Ele entendeu que a demanda agregada inclui o consumo privado, o investimento privado, os gastos do governo, as exportações líquidas, sendo o principal determinante do produto nacional e do emprego. Segundo o pensamento de Keynes, durante períodos de recessão temos queda na demanda agregada e isto pode ter como resultado a redução da produção e o aumento do desemprego em larga escala. Keynes defende a intervenção do governo na economia, visando obter estabilidade e promover o crescimento econômico. Segundo suas ideias, o setor privado mostra-se incapaz de conseguir sozinho a recuperação durante períodos de recessão, cabendo ao governo atuar aumentando os gastos públicos, investindo em infraestrutura e programas sociais, bem como, reduzindo os impostos visando estimular a demanda agregada e a revitalização da economia nacional. Keynes também defende que haja uma política monetária na qual temos o controle das taxas de juros pelo banco central. Quando da redução das taxas de juros temos o incentivo para o investimento privado e o estímulo para o crescimento econômico. No tocante ao pleno emprego, entende que devem haver políticas econômicas voltadas para restaurar e manter o emprego em níveis sustentáveis. A economia pode atuar abaixo do pleno emprego em decorrência de falhas no mercado de trabalho, tais como salários rígidos ou ineficiência na correspondência entre oferta e demanda de trabalho. O pensamento desenvolvido por Keynes em sua obra, reconhece a existência de ciclos econômicos de expansão e de contração. Entende que durante períodos de expansão cabe aos governos adotar políticas contracíclicas para evitar o superaquecimento da economia, já durante períodos de recessão, cabe adotar políticas expansionistas visando estimular a atividade econômica dentro da sociedade. Visando combater a inflação e estimular o desenvolvimento da economia, cabe ao Banco Central elevar as taxas de juros quando os preços tiverem tendência a subir e baixá-las quando os preços tiverem tendência para cair. Trata-se do Estado assumir a responsabilidade por garantir o pleno emprego, a qualidade de vida do trabalhador, suas moradias, educação, saúde, lazer e previdência social. Mas claro está, quanto mais intervencionista for o Estado, maior este se torna e maiores são as contribuições obtidas de seus cidadãos por meio de impostos.
Keynes criticava o padrão-ouro, principalmente por sua rigidez. Ele argumentava que atrelar a moeda a uma quantidade fixa de ouro impedia os bancos centrais de ajustarem a oferta monetária conforme as necessidades internas da economia, especialmente para combater desemprego ou deflação. Essa rigidez, segundo ele, agravava crises ao forçar ajustes dolorosos via queda de salários e preços (deflação). O sistema internacional de Bretton Woods (1944), que Keynes ajudou a negociar, criou um padrão-ouro “dólar-centrado” (o dólar era conversível em ouro, e outras moedas em dólar). Esse arranjo durou até 1971, quando o presidente Nixon suspendeu a convertibilidade do dólar em ouro. A partir daí, o mundo passou integralmente para o regime de moedas fiduciárias flutuantes. Essa realidade atual reforça a vitória prática das ideias keynesianas (e de outros defensores de políticas monetárias ativas): desde os anos 1970, os bancos centrais têm liberdade para expandir ou contrair a base monetária conforme as condições econômicas, exatamente o oposto da rigidez que Keynes combatia no padrão-ouro. No entanto, essa flexibilidade também gera debates críticos: inflação persistente, dívida pública elevada e questionamentos sobre o valor “real” das moedas fiduciárias.
As ideias desenvolvidas por Keynes, no tocante à macroeconomia, se colocam a meio termo entre a teoria econômica clássica do Liberalismo de Adam Smith com sua “mão invisível” e a teoria comunista de Karl Marx. Entre o total laissez-faire e laissez-passer com a valorização da propriedade privada por um lado e a total intervenção estatal e a supressão da propriedade privada por outro, temos Keynes defendendo um capitalismo no qual o Estado possa e deva intervir para manter o equilíbrio e estimular a economia.
A obra fundamental de Keynes, “A teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, 1936, parte de uma crítica profunda à economia clássica. Os economistas clássicos acreditavam que o mercado, deixado a si mesmo, tenderia naturalmente ao pleno emprego. Segundo eles, qualquer desemprego seria voluntário ou ficcional, resultado de salários excessivos ou de ajustes temporários. Keynes demonstrou que isso não corresponde à realidade. Pode existir desemprego involuntário persistente: seres humanos dispostos a trabalhar pelo salário vigente, mas sem encontrar emprego porque a demanda agregada é insuficiente.
O conceito-chave é o de demanda agregada (a soma do consumo, do investimento, dos gastos governamentais e do saldo líquido das exportações). Quando essa demanda é baixa, as empresas reduzem a produção e dispensam trabalhadores. O sistema não se corrige automaticamente, como supunha a tradição clássica. Ao contrário, pode se estabilizar num nível baixo de atividade, com alto desemprego.
Keynes introduziu a propensão marginal a consumir: à medida que a renda aumenta, os humanos consomem mais, mas em proporção decrescente. Parte da renda adicional é poupada. Isso leva ao famoso paradoxo da poupança: se todos tentam poupar mais em tempos de crise, o consumo cai, a demanda agregada diminui e a renda geral também cai, resultando em menos poupança efetiva para a sociedade como um todo.
Outro pilar é o multiplicador. Um gasto inicial (por exemplo, obras públicas financiadas por déficit) aumenta a renda dos trabalhadores, que então consomem parte dessa renda, gerando nova renda para outros, e assim sucessivamente. O efeito total sobre a renda e o emprego é várias vezes maior que o gasto inicial. O tamanho do multiplicador depende da propensão marginal a consumir: quanto maior a parcela consumida, maior o multiplicador. Keynes mostrou que um gasto inicial (seja investimento privado, obras públicas ou qualquer aumento autônomo de demanda) gera um efeito em cadeia muito maior sobre a renda e o emprego na sociedade como um todo. Imagine que o governo gaste uma quantia extra em construção de estradas. Os trabalhadores e empresas que recebem esse dinheiro agora têm mais renda. Eles não guardam tudo: gastam parte dela em consumo (compram comida, roupas, serviços). Esse novo consumo se torna renda para outros seres humanos, que também gastam uma parte, e assim sucessivamente. O efeito inicial se multiplica ao longo da economia. O tamanho desse multiplicador depende da propensão marginal a consumir (a fração da renda adicional que as pessoas tendem a gastar em consumo, em vez de poupar). Quanto maior a parcela que as pessoas consomem de cada unidade extra de renda, maior será o multiplicador. Se, por exemplo, as pessoas consomem 80% da renda adicional, o multiplicador será maior do que se consumissem apenas 50%.
Esse mecanismo está intimamente ligado ao paradoxo da poupança: se todos tentam poupar mais ao mesmo tempo (especialmente numa crise), o consumo cai, a demanda agregada diminui e a renda geral da economia também cai. No final, a sociedade poupa menos do que pretendia, porque há menos renda circulando. O que parece racional para cada indivíduo (poupar mais) torna-se prejudicial para o conjunto.
Por isso, Keynes defendia que, em períodos de baixa demanda, o Estado pode usar gastos públicos (mesmo que temporariamente deficitários) para iniciar esse processo multiplicador, elevando a atividade econômica, gerando empregos e restaurando a confiança. Uma vez recuperada a economia, a própria expansão da renda permite recolher mais impostos e equilibrar as contas públicas ao longo do tempo.
Keynes também revolucionou a compreensão do juro e do investimento. Na teoria clássica, o juro equilibrava poupança e investimento. Para Keynes, o juro é o preço que compensa a preferência pela liquidez (o desejo humano de manter dinheiro em forma líquida por motivos de transação, precaução e especulação). Quando a incerteza é alta, a preferência pela liquidez aumenta, os juros sobem e o investimento privado cai. Mesmo com juros baixos, o investimento pode não se recuperar se as expectativas de lucro (a “eficiência marginal do capital”) forem pessimistas.
Aqui entra o papel central das expectativas e da incerteza. Diferentemente da probabilidade mensurável (tema que Keynes já havia explorado em seu Tratado sobre a Probabilidade, de 1921), a incerteza econômica verdadeira não permite cálculos precisos. Os investidores agem guiados por “espíritos animais”, impulsos irracionais de otimismo ou pessimismo. Em períodos de baixa confiança, nenhum corte de juros consegue estimular suficientemente o investimento privado.
Diante disso, Keynes conclui que a política monetária sozinha (redução de juros ou aumento da oferta de moeda) pode ser insuficiente, especialmente numa “armadilha da liquidez”, quando os humanos preferem guardar dinheiro mesmo com juros muito baixos. A solução mais eficaz é a política fiscal ativa: o Estado deve aumentar seus gastos (mesmo que gere déficit temporário) para elevar diretamente a demanda agregada, criar empregos e restaurar a confiança. Uma vez recuperada a economia, os impostos mais altos sobre a renda elevada podem equilibrar as contas públicas. Aqui, portanto, encontramos um conceito decisivo para compreender a lógica da intervenção estatal em Keynes que é o de “armadilha da liquidez”. Trata-se de uma situação em que as taxas de juros já se encontram tão baixas que os agentes econômicos (famílias, empresas e investidores) preferem reter moeda em forma líquida a aplicá-la em investimentos ou títulos, pois não vislumbram perspectivas de lucro compensadoras. Nesse cenário, mesmo que o banco central expanda a oferta monetária ou reduza ainda mais os juros, o efeito sobre o investimento e o consumo é praticamente nulo: a economia entra em espécie de paralisia, onde a política monetária perde sua eficácia. É exatamente aqui que Keynes rompe de forma mais radical com a tradição clássica: se o mercado e os instrumentos monetários convencionais são incapazes de reativar a economia, cabe ao Estado intervir diretamente por meio do gasto público, mesmo que isso implique déficit temporário. A armadilha da liquidez não é, portanto, uma anomalia ocasional no pensamento keynesiano, é o argumento mais contundente em favor da primazia da política fiscal sobre a política monetária em momentos de crise profunda.
Essas ideias não nascem do vazio. Keynes carregava influências filosóficas profundas, especialmente de George Edward Moore (1873-1958), que enfatizava os estados de espírito e a experiência direta como critérios de valor. Essa sensibilidade estética e psicológica ajudou-o a incorporar elementos comportamentais e irracionais na análise econômica, o que de fato era algo raro na sua época histórica.
Em síntese, a Teoria Geral não é apenas um manual de política anticrise. É uma visão nova do funcionamento das economias contemporâneas: o mercado não é um mecanismo autorregulador perfeito; ele pode gerar equilíbrios ruins, com recursos ociosos e sofrimento humano desnecessário. Cabe ao poder público intervir para corrigir esses desequilíbrios e aproximar a economia do pleno emprego.
2.1- Keynes e o New Deal: Um anacronismo na história
Uma das associações mais repetidas na divulgação histórica e econômica é a de que o New Deal de Franklin D. Roosevelt (1882-1945) foi uma aplicação prática das ideias keynesianas. Trata-se, porém, de um anacronismo presente na história. Lembramos que por anacronismo entendemos um erro cronológico infelizmente deveras comum, que consiste em situar pessoas, objetos, costumes, conceitos ou ideias fora de sua época correta, analisando o passado com valores do presente.
A principal obra de Keynes, “A teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, foi publicada apenas em fevereiro de 1936. Quando Roosevelt assumiu a presidência em março de 1933 e lançou os primeiros programas do New Deal durante os célebres “Cem Dias”, a teoria keynesiana madura ainda não existia. As raízes intervencionistas do New Deal remontam, na verdade, ao governo anterior. Herbert Hoover (1874-1964), presidente norte-americano entre 1929-1933 (foi o 31.º presidente dos Estados Unidos), frequentemente retratado como defensor rígido do laissez-faire, já havia iniciado medidas significativas de intervenção estatal: criou a Reconstruction Finance Corporation (1932) para socorrer bancos e empresas, promoveu obras públicas, apoiou preços agrícolas e aumentou os gastos federais. Roosevelt ampliou e radicalizou esse caminho, mas não o inventou. A continuidade entre Hoover e Roosevelt é maior do que a narrativa política posterior quis admitir.
Ideias semelhantes às que Keynes sistematizaria em 1936 já circulavam na Europa desde o início da década de 1930. A chamada Escola de Estocolmo, formada por economistas suecos como Gunnar Myrdal (1898-1987), Bertil Ohlin (1899-1979) e Erik Lindahl (1891-1960), defendia políticas contracíclicas, obras públicas financiadas por déficit orçamentário, intervenção estatal para elevar a demanda e combate ativo ao desemprego. Publicações importantes dessa Escola datam de 1931 a 1934, antecipando vários elementos da teoria keynesiana. Embora não haja evidência de influência direta sobre a equipe de Roosevelt, a convergência de ideias intervencionistas estava claramente “no ar” em vários países. Ao que parece, o final dos anos da década de 1920 e início da década de 1930 trouxeram para o capitalismo ideias referentes a uma maior intervenção do Estado na Economia e estas circulavam amplamente em vários círculos antes mesmo de serem sistematizadas, organizadas e terem reconhecimento maior a partir da obra de Keynes.
No Brasil, a relação entre Roosevelt e Getúlio Vargas reforça esse quadro de convergência pragmática, e não de aplicação teórica. Os dois presidentes mantiveram uma relação próxima de amizade e reconhecimento mútuo. Encontraram-se pessoalmente em 1943, em Natal (Rio Grande do Norte), e trocaram elogios públicos. Roosevelt chegou a declarar, em tom retórico, durante uma visita ao Rio de Janeiro em novembro de 1936: “Duas pessoas inventaram o New Deal: o Presidente do Brasil e o Presidente dos Estados Unidos.” Vargas admirava o ativismo estatal americano e implementou, no Estado Novo, medidas de intervenção econômica, legislação trabalhista e industrialização que apresentavam paralelos superficiais com o New Deal. Tratava-se, porém, de uma convergência política e diplomática, marcada pelo contexto da Segunda Guerra Mundial e pelos interesses estratégicos bilaterais, e não de uma adoção direta de doutrina econômica. Apesar dos modelos ideológicos de ambos países (um mais democrático e outro mais autoritário) serem diferentes, houve uma aproximação no tocante às ideias referentes à aplicação de um modelo econômico que respondesse as demandas oriundas da crise econômica mundial daquela época histórica.
O próprio encontro pessoal entre Keynes e Roosevelt ilustra bem as distâncias entre teoria e prática. Os dois se viram uma única vez, em 28 de maio de 1934, na Casa Branca. O encontro foi intermediado por Felix Frankfurter e durou cerca de uma hora. As impressões foram educadas em público, mas reservadas em particular. Segundo o relato de Frances Perkins, Secretária do Trabalho, Roosevelt comentou depois: “Vi seu amigo Keynes. Ele me deixou um monte de algarismos confusos. Deve ser mais matemático do que economista político.”
Keynes, por sua vez, admirou a ousadia das ações de Roosevelt, mas observou com cautela que havia “suposto que o Presidente fosse mais letrado, economicamente falando”. O choque era previsível: Keynes falava em equações, multiplicadores e demanda agregada; Roosevelt governava por instinto político, experimentação (“trial and error”) e coalizões pragmáticas.
Essa discussão revela um ponto central para a compreensão crítica da história das ideias: o New Deal não nasceu da Teoria Geral de 1936, mas de respostas pragmáticas e ecléticas à catástrofe da Grande Depressão. Muitos analistas argumentam, inclusive, que as políticas intervencionistas de Hoover e Roosevelt (rigidez salarial, cartéis agrícolas e industriais, regulamentações excessivas e aumento de impostos) contribuíram para prolongar a depressão em vez de resolvê-la. A recuperação econômica americana só ganhou força consistente a partir de 1938-1939, com os preparativos bélicos, e especialmente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o enorme gasto público de guerra elevou a demanda agregada de forma decisiva.
Keynes apoiou o New Deal a partir de 1933 (inclusive com uma “Carta Aberta ao Presidente Roosevelt” publicada no The New York Times), mas atuou mais como observador e torcedor eloquente do que como inspirador original. A narrativa posterior que transforma o New Deal em “aplicação prática do keynesianismo” é, portanto, um retrocesso historiográfico: projeta sobre eventos de 1933 uma teoria que só foi plenamente articulada em 1936. Esse anacronismo ajudou a consolidar o keynesianismo como doutrina oficial do século XX, mas obscurece a complexidade real das origens das políticas intervencionistas contemporâneas.
3- Palavras finais
A obra de John Maynard Keynes deve ser lida e avaliada com o devido cuidado histórico. Embora tenha exercido enorme influência na macroeconomia contemporânea e tenha servido de base teórica para muitas políticas intervencionistas do século XX, sua teoria não escapou das limitações de seu tempo. Como vimos, a associação direta entre o keynesianismo e o New Deal constitui um anacronismo frequente, e muitas das medidas intervencionistas dos anos 1930 antecederam ou desenvolveram-se paralelamente à formulação madura de suas ideias. Keynes foi, sem dúvida, um pensador brilhante que soube identificar falhas reais do mecanismo de mercado, especialmente a possibilidade de desemprego involuntário persistente e a importância da demanda agregada. No entanto, sua defesa de uma intervenção estatal ativa também abriu caminho para o crescimento desmedido do aparato governamental, para o aumento crônico da dívida pública e para a dependência de estímulos fiscais que, em muitos casos, prolongaram desequilíbrios em vez de resolvê-los. Em última análise, a grande contribuição de Keynes não reside em oferecer soluções definitivas, mas em ter desafiado corajosamente os dogmas da economia clássica e em ter forçado o pensamento econômico a levar em conta a complexidade do comportamento humano, a incerteza radical e os limites da autorregulação do mercado. Cabe a nós, hoje, ler Keynes criticamente: reconhecendo sua genialidade sem transformar suas ideias em uma nova ortodoxia intocável. Menos do que ideias novas e imutáveis, Keynes nos traz uma visão alternativa em relação ao stablishment reinante em sua época, algo sempre saudável para o debate crítico e possível avanço das ideias e do conhecimento humano.
4- Algumas das principais obras de Keynes
1- Indian Currency and Finance. Título traduzido para o português: Moeda e finanças na Índia. Ano da primeira publicação: 1913.
Nesta sua primeira grande obra, Keynes analisa o sistema monetário e financeiro da Índia sob o domínio britânico. Ele examina os mecanismos de emissão de moeda, as reservas de ouro e prata e os problemas de instabilidade cambial, defendendo reformas que garantissem maior flexibilidade e estabilidade ao sistema colonial. O livro revela já o interesse precoce do autor pela política monetária prática e pela relação entre moeda e desenvolvimento econômico.
2- The Economic Consequences of the Peace. Título traduzido para o português: As consequências econômicas da paz. Ano da primeira publicação: 1919.
Escrito logo após a Primeira Guerra Mundial, o livro é uma crítica devastadora ao Tratado de Versalhes. Keynes argumenta que as reparações impostas à Alemanha eram economicamente insustentáveis e que, ao empobrecerem o principal motor industrial da Europa, condenariam o continente inteiro a um longo período de instabilidade, inflação e desemprego. A obra tornou Keynes famoso mundialmente por sua capacidade de combinar análise técnica com previsão política.
3- A Tract on Monetary Reform. Título traduzido para o português: Tratado sobre a reforma monetária. Ano da primeira publicação: 1923.
Keynes defende uma reforma radical do sistema monetário internacional, criticando o retorno ao padrão-ouro como uma rigidez perigosa. Ele propõe que os bancos centrais priorizem a estabilidade dos preços internos e o pleno emprego, em vez de defender uma paridade fixa com o ouro. É o primeiro texto em que ele articula claramente a ideia de que a política monetária deve ser ativa e flexível para enfrentar choques econômicos.
4- A Treatise on Money. Título traduzido para o português: Tratado sobre a moeda. Ano da primeira publicação: 1930 (dois volumes).
Obra ambiciosa e técnica em dois volumes, o livro aprofunda a teoria monetária. Keynes distingue claramente os conceitos de poupança e investimento, analisa o papel dos bancos na criação de crédito e explora como desequilíbrios entre poupança e investimento podem gerar inflação ou deflação. Embora ainda preso a certos pressupostos clássicos, o Tratado já prepara o terreno para a grande ruptura teórica que viria em 1936.
5- Essays in Persuasion. Título traduzido para o português: Ensaios de persuasão. Ano da primeira publicação: 1931.
Coletânea de artigos e ensaios escritos entre 1919 e 1931, o livro reúne textos acessíveis ao público leigo. Keynes defende, de forma clara e persuasiva, suas ideias sobre a necessidade de intervenção estatal, a crítica ao padrão-ouro e as políticas de estímulo à demanda. É uma das obras mais legíveis do autor e revela seu talento para comunicar ideias complexas ao grande público.
6- The General Theory of Employment, Interest and Money. Título traduzido para o português: A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Ano da primeira publicação: 1936.
Considerada a obra-prima de Keynes e um dos livros mais influentes do século XX, a Teoria Geral rompe definitivamente com a economia clássica. Keynes demonstra que o desemprego involuntário pode ser um fenômeno persistente mesmo em equilíbrio de mercado e que o nível de atividade econômica é determinado pela demanda agregada. Propõe, portanto, que o Estado atue ativamente por meio da política fiscal e monetária para manter o pleno emprego e estabilizar a economia. Esta obra fundou as bases da macroeconomia moderna e do pensamento keynesiano.
Silvério da Costa Oliveira.
Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
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