Professor Doutor Silvério

Blog Ser Escritor

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)


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5- Blog 4 “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

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8- Página no Face Book “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

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segunda-feira, 30 de março de 2020

A morte


Por: Silvério da Costa Oliveira.

 A morte não está em oposição à vida como alguns poderiam pensar e sim ao nascimento. Em verdade são as duas datas mais marcantes para qualquer pessoa, para qualquer ente, seu nascimento e sua morte. A ciência pode seguir o indivíduo para antes de seu nascimento, os nove meses sendo gestado pela mãe, o encontro de um óvulo com um espermatozoide, duas pessoas que se encontram para o ato sexual ou uma inseminação artificial, e por aí vai indefinidamente, no entanto, o indivíduo humano como um todo completo somente após o nascimento e poderíamos mesmo especificar a sua primeira respiração, seu primeiro sopro de vida e irá prosseguir até seu último sopro, mesmo podendo a ciência seguir o sujeito após sua morte, passo a passo do desligamento de cada função, do destino de cada parte de seu corpo, de suas células, de seus átomos. Entre o primeiro sopro ao nascimento e o último antes da morte, o que temos é um intervalo ao qual chamamos de nossa vida, digo nossa porque a vida não para, ela simplesmente prossegue pelas vias mais distintas e por vezes estranhas ao nosso banal conhecimento cotidiano.
No campo da religião e das mais distintas crenças, bem próximas à irracionalidade e bem longe da razão, a morte é vista como uma porta que dá acesso a uma outra vida, a uma outra realidade. Mas não é o caso aqui, neste artigo, pois, nosso intento é abordar somente a morte e não o que possa vir antes ou depois da mesma. Neste sentido, a morte é o fim da vida e deste nosso artigo.
É diante da finitude da vida, de um sopro ao outro, que nossa civilização e história se desenvolveu e ainda se desenvolve. Se talvez não caiba falar em religião sem morte, não cabe falar em filosofia não estando diante da finitude da vida. É a morte que traz finitude a nossa existência individual, histórica e temporal. Pela reflexão presente da morte temos certeza do quanto as menores coisas que fazemos ou deixamos de fazer são importantes, porque únicas no tempo e espaço, irrepetíveis em essência. Dor e prazer, coisas mundanas ou excepcionais, metas ou descaso, amor ou ódio, seja lá o que for que sinta ou pense, isto e tudo o mais te faz vivo hoje e somente por um breve período de tempo pelo prisma do universo, do cosmos, do grande tempo não medido.
A morte é um termo que vem a significar o cessamento de toda atividade biológica de um dado organismo, a matéria, no entanto, persiste e a vida tenderá a se apresentar em outras formas após o falecimento de um ente biológico. Por vezes, a expressão também é usada de modo metafórico para representar o fim definitivo de algo não biológico, como uma empresa, um projeto ou mesmo um sonho a ser realizado. De qualquer modo, sempre representando um fim em si mesmo, mesmo que se possa acreditar que dali em diante haverá algum tipo de prosseguimento, por meio de alguma forma de transformação ou mutação ou persistência de uma essência básica, de uma alma ou espírito imortal.
Com a morte segue-se um problema para os que restam vivos, que é o que fazer com o corpo, os restos mortais. A isto foram culturalmente dadas algumas respostas que muitas vezes são adotadas sem maiores questionamentos pelas pessoas dentro de uma dada cultura e sociedade. Os restos podem ser cremados, enterrados abaixo ou acima da terra, mumificados, congelados (criogenia), devorados, etc. Temos o registro de culturas que guardam consigo os restos dos mortos pelo poder que os mesmos poderiam ter, seja no formato de uma múmia ou de ossos limpos da pele. Também temos aqui a presença das diversas religiões tentando explicar o que ocorre com a consciência daquele que morreu, pois, seu corpo continua ali, mas falta-lhe algo que antes lhe dava a vida e o fazia alguém único dentro da comunidade.
Uma decisão individual e particular sim, mas infelizmente nem sempre possível de ser concretizada, pois, pode ocorrer de querermos congelar nosso corpo na esperança de um dia a medicina ser capaz de nos reviver ou querermos mumificar para preservar pelo maior tempo possível, mas faltar-nos recursos financeiros para custear tal empreitada ou mesmo conhecimentos tecnológicos adequados para um processo eficaz. A história registra importantes líderes que foram mumificados e, no entanto, seus corpos entraram rapidamente em um processo de forte deterioração e decomposição por falhas técnicas no processo empregado.
A decisão sobre o que fazer com o corpo, no entanto, deveria ser pensada e decidida ainda em vida pela própria pessoa ao qual o corpo pertence e ser comunicada oralmente e por escrito via testamento para que não houvesse dúvidas sobre seu desejo. Poderia muito bem esta pessoa entender que gostaria que todos os seus órgãos fossem doados para quem deles precisasse, em vez de deixar que a morte a tudo levasse consigo. Como disse antes, há vários destinos possíveis para com o corpo após a morte. Você prefere ter seu corpo cremado ou devorado por vermes? Ir para a cova completo ou doar todas as partes que puder de seu corpo para que outras pessoas possam em suas vidas fazer uso das mesmas na qualidade e tempo que possam ter em suas vidas?
Neste tocante chega-nos algo preocupante se queremos decidir o que de fato faremos com este corpo após nossa morte, que é justamente saber quando de fato estamos mortos. A determinação da morte de alguém ainda é algo delicado e sujeito a controvérsias. Ainda há bem pouco tempo em nossa história era comum dar-se alguém como morto após parada dos batimentos cardíacos e da respiração, posteriormente com o advento de novas tecnologias passou a ser possível trazer de volta o paciente após uma parada cardiorrespiratória. Ainda em passado recente tivemos pessoas dadas como mortas que durante algum processo pós morte (embalsamamento, retirada de órgãos, algum tipo de estudo clínico no corpo, etc.) constatou-se ainda estarem vivas. Claro, não criemos pânico de modo desnecessário, hoje há todo um procedimento clínico específico para que a morte de alguém seja atestada e confirmada, pelo menos dentro de padrões possíveis.
Claro está que temos um corpo e uma consciência de estarmos neste mundo e conjuntamente com esta consciência podemos também falar em uma personalidade, bem como em uma sequência de coisas aprendidas e memorizadas. Outros animais não possuem uma consciência elaborada de si próprios, mas há evidências nítidas de uma memória, de comportamento aprendido e de uma personalidade que o diferencia de outros animais de sua própria espécie.
Poderia algo persistir após a morte? As religiões abraâmicas acreditam em uma ressuscitação do corpo e espírito em um momento futuro. As religiões espíritas e orientais tendem a acreditar na reencarnação do espírito em outros corpos. Alguns campos específicos da ciência entendem ser este o fim de tudo, indo ao esquecimento, ao término, a inexistência daquela consciência e a transformação da matéria daquele corpo em seus elementos mais básicos. A razão não proporciona elemento algum que corrobore que a consciência do indivíduo possa persistir a sua morte, que possa haver uma alma ou espírito imortal ou que possa haver algum tipo de ressurreição da carne ou reencarnação do espírito para viver outras vidas neste ou em outro mundo. Somente pela fé (crença irracional) podemos acreditar ser possível a permanência da vida tal qual a conhecemos após a nossa morte.
Havendo ou não outra vida, outra chance, tudo o que sabemos com exata certeza é que vivemos enquanto estamos vivos e que temos uma e somente uma única vida para ser por nós vivida e que por tanto, deve ser bem vivida e por via das dúvidas, havendo ou não outras vidas, a atitude mais sábia a tomar é viver agora a vida que lhe foi dada e que pode, por tudo o que sabemos, bem ser sua única vida tal como você é, pois, mesmo que seus elementos básicos persistam na formação da vida, você não mais existirá para todo o sempre.
Pensando nisto e buscando a imortalidade, mesmo que temporária, buscaram-se formas de manter vivo aquilo em que o indivíduo consistia, sabia e simbolizava. Sociedades tentaram preservar o corpo mumificando-o ou guardando seus ossos. Se tornou comum a frase que pregava plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, tentando por este modo deixar sua memória por mais tempo do que a vida daqueles que nos conheceram pessoalmente e que um dia também irão morrer e com eles as memórias que tinham de nós, nos levando para o inexorável esquecimento.
Eu posso não querer morrer, mas ao nascer, o número máximo de meus dias entre os vivos já está contado, como uma sentença dada após o julgamento de meu nascimento. Outros animais, no entanto, não possuem esta consciência que nos permite saber que iremos também morrer. Um cão e um gato vivem felizes sua vida, pois para eles é eterno o momento presente, não havendo o conhecimento de que um dia não mais estarão aqui, não mais beberão seu leite, sua água ou comerão o que mais gostam. Sua vida é o momento presente e a presença de outros animais ou pessoas de que realmente gostem é o que importa e é demonstrado fisicamente pela presença e por vezes por um pedido de carinho e afago.
Temos o medo da morte, mas talvez devêssemos nos atentar para um outro medo que por vezes é ignorado e deveria ser levado a sério, que seria o medo de não viver de modo pleno e feliz, de ser aquele ou aquela que você de fato quis ser, de realizar seus verdadeiros sonhos e não somente os das demais pessoas que nos cercam.
O medo da morte para alguns pode ser o medo pelo julgamento por um deus severo e por penas pesadas a serem cumpridas após a morte, já para outros pode ser o medo pelo desconhecido ou ainda o medo pelo esquecimento, por deixar de ser, de existir para todo o sempre, por não ser mais lembrado, por não fazer mais falta a quem quer que seja e a si próprio. A consciência e a razão nos dizem da inevitabilidade da morte a qual estamos condenados mais cedo ou mais tarde, não podendo fugir ou enganar. E para um ser genuinamente racional, torna-se mais triste na medida em que qualquer crença religiosa poderia lhe ser vista como um modo de se auto enganar, crendo naquilo que de fato não acredita.
De certo modo, a inevitabilidade e por vezes urgência da morte leva o indivíduo a viver mais plenamente sua vida, dando sentido e significado a cada momento restante da mesma. É diante da morte que nos fazemos humanos ao valorizarmos as nossas realizações em vida. Se somos dignos, o somos diante da morte e perante a vida e esta dignidade é fruto do esforço cotidiano pela obtenção daquilo ao qual nos propomos em nossa breve existência humana. É belo, é trágico, é dolorido. Dor dos vivos pelos que se vão. Dor do que está vivo por não viver, desperdiçando sua vida. Dor por quem já morreu e não sabe, continuando vivo somente nas aparências fúteis de uma vida sem objetivos, realizações, prazeres e contentamento.

Silvério da Costa Oliveira.

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
Blog “Comportamento Crítico”:
Blog “Ser Escritor”:
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

2 comentários:

Norma Nogueira disse...

Você,Dr. Silvério da costa e imortal, na minha plenitude das minhas memórias, pois suas palavras sábias ecoará dentro de meus movimentos em direção a morte com muito mais ações de viver a vida plena sem utopia.
Norma Nogueira

Norma Nogueira disse...

Você,Dr. Silvério da costa e imortal, na minha plenitude das minhas memórias, pois suas palavras sábias ecoará dentro de meus movimentos em direção a morte com muito mais ações de viver a vida plena sem utopia.
Norma Nogueira