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Silvério da Costa Oliveira é Doutor (PhD) e Mestre em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia, possui a Licenciatura Plena em Psicologia e a Licenciatura Plena em Filosofia, possui a Licenciatura pelo MEC em História e Sociologia, autor de vários livros e artigos, conferencista. Sua formação está estruturada sobre três pilares: a Filosofia, a História e a Psicologia.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Exemplos de tema/assunto, problema e hipótese

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Em posts anteriores conversamos sobre a importância e significado do tema/assunto, do problema e das hipóteses, agora iremos complementar este assunto apresentando uma seqüência de exemplos tomando por base uma estrutura de projeto de pesquisa.

Exemplos:

Projeto de dissertação de mestrado
(total de 69 páginas tamanho ofício em espaço dois)
Autor: Carlinhos Zassala
Tema: Educação
Título: A orientação escolar e profissional em Angola: Uma questão opcional ou um imperativo sócio econômico?
Problema: Quais são os efeitos positivos e negativos da lusofonia no processo de ensino-aprendizagem dos alunos do ensino de base, 1º nível em Angola? O fato dos alunos terem uma língua materna diferente da do ensino não dificultaria o processo de aprendizagem?
Os métodos atuais de aprendizagem da língua portuguesa são os mais adequados? O que é que os pais pensam da lusofonia? Os níveis técnico-cultural e psico-pedagógico dos docentes não estariam na base do fraco desempenho escolar verificado no nível do ensino de base regular? O nível sociocultural dos pais não teria um impacto no desempenho escolar dos alunos de ensino de base regular? A implantação da orientação escolar e profissional não resolveria alguns problemas que estão na base deste fraco desempenho escolar? As condições de aprendizagem escolar tanto institucionais como familiares não influenciariam o desempenho ou rendimento escolar dos alunos do ensino de base regular?
Hipóteses:
H1 – A inexistência de um serviço de orientação escolar constitui um fator substancial no baixo rendimento escolar dos alunos do ensino de base regular do 1º nível da província de Luanda.
H2 – As dificuldades lingüísticas estão na base do fraco desempenho escolar dos alunos do ensino de base de 1º nível da província de Luanda.
H3 – O nível escolar e profissional dos professores tem um impacto no rendimento escolar dos alunos do ensino de base do 1º nível da província de Luanda.
H4 – As condições de aprendizagem escolar, quer institucionais, quer familiares, estão relacionadas com o desempenho escolar dos alunos do ensino de base do 1º nível da província de Luanda.

Projeto de dissertação de mestrado
(total de 62 páginas tamanho carta em espaço dois)
Autor: Márcia Cristina Gomes de Pinho
Tema: Autoconceito em crianças superdotadas
Título: O papel da escola na estruturação do autoconceito de crianças superdotadas.
Problema: Crianças superdotadas oriundas de diferentes classes sócio-econômicas teriam seus autoconceitos estruturados de maneira diferente, devido aos valores também serem diferentes?
Como a criança superdotada pensa que é percebida por pessoas significativas na escola (professores e colegas)?
Como os professores percebem o(a) aluno(a) superdotado(a)?
Hipóteses:
H1 – Há correlação significativa entre a classe sócio-econômica que a criança superdotada pertence e a estruturação de um autoconceito positivo.
H2 – A maneira como a criança superdotada pensa que é percebida por uma pessoa significativa, contribui para a formação de um autoconceito positivo.
H3 – As atitudes positivas da criança superdotada em relação à escola e aos professores correlacionam-se com um autoconceito também positivo ou vice-versa.

(Observação: Abaixo temos um projeto anterior ao Doutorado que cursei, trata-se de outra proposta dentro de outra abordagem)
Projeto de tese de doutorado
(total de 36 páginas tamanho carta em espaço dois)
Autor: Silvério da Costa Oliveira
Tema: Criatividade
Título: Estudo cognitivo e social sobre o desenvolvimento do processo de criatividade, sua relação com o imaginário e sua manutenção como parte integrante da personalidade dentro de um contexto individual e social.
Problema: Porque grande número de crianças altamente criativas quando ainda em idade pré-escolar ou nos primeiros anos do ciclo básico de estudos, apresentam gradativa ou brusca diminuição de sua criatividade paralelamente ao seu desenvolvimento cronológico e só um pequeno e reduzido número de crianças altamente criativas torna-se, de fato, em adultos socialmente reconhecidos como altamente criativos?
Hipóteses:
H1 – Existe clara relação e vinculação entre o desenvolvimento do processo de criatividade e a terceira das linguagens ou códigos morfogenéticos, o imaginário (o imaginário representaria o fluxo de pensamento dos seres humanos), tanto com relação ao canal visomotor como também com relação ao canal audiofonético. A partir da ampliação sintagmática e paradigmática do campo da fantasia reencontramos os processos criativos.
H2 – Pesquisas recentes apontam a importância da presença em indivíduos altamente criativos, tanto da independência como também da sensibilidade. Um dos fatores inibidores da criatividade em crianças mais velhas, adolescentes e adultos é a aprendizagem e introjeção de papéis sexuais impostos culturalmente pela sociedade em dado momento histórico, os quais tendem a valorizar a sensibilidade como uma característica feminina e desvalorizar a mesma junto ao estereótipo masculino, já no tocante a independência, esta seria uma característica valorizada junto ao papel sexual social masculino e desvalorizada junto ao papel sexual social feminino, ressaltamos que tal atitude diante dos papéis sexuais sociais está mudando, mas em linhas gerais ainda se espera que homens e mulheres obedeçam a um dado papel sexual social que tende a valorizar características de personalidade e comportamento diferente para cada sexo. Desta forma, a sociedade inibe a criatividade na medida em que inibe o desenvolvimento da sensibilidade junto aos homens e da independência junto às mulheres, pois o indivíduo altamente criativo necessitaria ter desenvolvido tanto sua sensibilidade aos problemas como sua independência com relação ao conformismo social reinante.
H3 – Indivíduos altamente criativos quando adultos, encontraram quando ainda crianças, apoio emocional junto a sua família, em particular junto a sua mãe, o que propiciou a formação de um autoconceito positivo e uma barreira contra as pressões sociais para o conformismo (Denise Morel).
H4 – A ausência de um claro apoio emocional dado por pessoas significativas, destaca-se o apoio da figura materna, pode contribuir para a diminuição da criatividade e para tornar crianças altamente criativas em adultos que não se destaquem neste tocante.
H5 – A criatividade está presente em todos os indivíduos, só variando em grau, desta forma temos diferenças quantitativas no tocante a criatividade nos indivíduos e não diferenças qualitativas (J. P. Guilford).
H6 – O processo de socialização presente no sistema oficial de ensino tende a valorizar o conformismo e a dependência da autoridade expressa pelo professor enquanto sujeito que representa a figura detentora do suposto saber, e da instituição enquanto zeladora dos valores sociais e culturais identificados como importantes, desta forma, crianças altamente criativas são gradativamente reprimidas e tem a sua criatividade inibida por esta não se adaptar ao esperado diante das normas e tradições presentes à instituição escola.
H7 – A manutenção da criatividade no decorrer do desenvolvimento cronológico do indivíduo depende de circunstâncias e fatores cognitivos, sociais, familiares, situacionais e individuais.
H8 – Uma melhor compreensão sobre a linguagem código do imaginário poderá ter implicações pedagógicas positivas sobre o desenvolvimento dos processos criativos, propiciando aos educadores instrumentos para evitar uma atuação inibidora sobre os componentes formadores e manutentores da criatividade, gerando uma atuação em prol do desenvolvimento da criatividade, bem como promover o desenvolvimento cognitivo em geral e propiciar melhor entendimento sobre o processo de criatividade para os próprios sujeitos tidos como criadores e para os pais de crianças altamente criativas.

Observação:
Eis alguns trechos do projeto que norteou os quatro anos de Doutorado em Psicologia Social que cursei na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e me proporcionou o Título de Doutor.
O Projeto de Tese de Doutorado foi elaborado no decorrer de dois anos de curso e defendido perante banca de três professores doutores em 1 de dezembro de 2004 na UERJ, tendo sido nesta ocasião aprovado no Exame de Qualificação (ou Qualify).
(Trecho retirado da minha Tese de Doutorado, intitulada: “Criatividade, inovação e controle nas organizações de trabalho”)

Projeto de Tese de Doutorado
(total de 352 páginas tamanho A4 em espaço dois)
Autor: Silvério da Costa Oliveira
Tema: Criatividade versus resistência à mudança nas organizações de trabalho.
Título: Criatividade, inovação e controle nas organizações de trabalho.
Problema: Em verdade, o problema atual das organizações com relação à demanda de criatividade/inovação diz respeito a sua capacidade de lidar com a necessidade de controle total sobre a qualidade dos processos de produção sem adotar práticas que sufoquem as iniciativas dos diferentes atores, por vezes arriscadas, mas indispensáveis ao desenvolvimento de condutas criativas e ou inovadoras.
Tais práticas são um reflexo das crenças e valores existentes, bem como da maneira como a organização lida com o seu potencial de criatividade disponível – os seus recursos humanos.

1- Como a cultura e o clima organizacional relacionam-se com a resistência à mudança diante das inovações e a exigência da criatividade?
2- Como a necessidade de controle inerente às organizações de trabalho pode permitir ou conviver com a liberdade presente nos processos de criatividade e inovação?

Hipóteses:
a) a criatividade e a inovação exercem papel significativo na sobrevivência de organizações dentro do atual contexto de globalização;
b) mecanismos de controle explícitos e implícitos atuam constantemente no interior das organizações;
c) a criatividade necessita de um ambiente propício ao seu desenvolvimento no qual destaca-se a importância do clima e cultura organizacional como fatores que podem favorecer ou impedir manifestações criativas no interior das organizações;
d) a criatividade e a inovação necessitam de liberdade, no entanto, esta liberdade não é absoluta, pois cabe certa dose de controle e limite em toda a produção criativa sem que a mesma seja prejudicada.

PERGUNTA: Você pensa em algum tema de pesquisa que lhe agradaria realizar e para o qual você elaboraria um projeto, com tema/assunto, problema e hipóteses?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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1 Comentários:

Blogger Márcia disse...

Excelente contribuição para quem pretende escrever uma monografia, dissertação ou tese.

A forma didática e organizada como escreve realmente colabora na organização das idéias e definição do problema de pesquisa, servindo como ponto de partida para as etapas subseqüentes.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007 09:39:00 BRST  

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